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Meditação - Coração doador, corpo saudável!
By : Kadu
Baseado em Neemias 13:10-13
Precisamos de líderes, pastores e
dirigentes de igrejas hoje com o mesmo coração que Neemias. No anseio de
obedecer a Deus em tudo, realizando as coisas exatamente conforme os
mandamentos de Deus, ele toma essa atitude descrita no texto, que deveria
inspirar as igrejas de hoje.
Quantas são as pessoas hoje que
poderiam estar exercendo melhor seu chamado se nossas igrejas compreendessem o
valor de doar. Quantos são os ministros, sejam eles missionários, evangelistas,
pastores ou outros, que estão tendo que deixar o trabalho em tempo integral
pra, no mínimo, meio período trabalharem em áreas distintas do chamado e
vocação, simplesmente porque a igreja não doa, não oferta, não sustenta.
E aí vem o pensamento cristão
pós-moderno que diz que esse é um novo tempo, que devemos compreender que hoje
é assim que funciona, que devemos entender que Deus está guiando os chamados ao
trabalho como ministros em tempo integral pra mudarem seus focos e não
dependerem mais dos irmãos e das igrejas pra seu sustento. Pra mim soa muito
mais como uma ideia que surgiu pra corroborar meu desejo de não ofertar!
Outro pensamento é aquele
simplista, determinista, mais parecido com seguidores de Alá do que do Deus que
se tornou carne em Jesus Cristo: “se Deus te chamou e designou pra algo o
sustento virá com certeza! Se não chegar, ou se o que receber não for
suficiente é porque não era de Deus, ou não era tempo de Deus”. Outro
pensamento escapista, também pra corroborar a mesma coisa: não gosto de doar,
não gosto que outros também o façam, por isso encontrei uma “verdade” que me
serve nesse sentido.
Na real, o que tenho visto é que
Deus tem chamado sim, tem vocacionado, tem equipado com dons e talentos, tem
aberto portas e tem dado as finanças necessárias sim. Porém, como Corpo de Cristo,
e no desejo real de Deus nos fazer um em Cristo, pra que Ele seja conhecido por
nossa unidade, cada parte desse corpo coopera com uma parte. Existem aqueles
que nesse processo cooperam com uma palavra que desperta a pessoa a pensar
diferente. Tem os que discipulam essa mesma pessoa, que já foi despertada por
outra, a olhar pra Deus de forma diferente, a perceber seu chamado, a história
que Deus escreveu com ela até então. Outros são aqueles que ensinam mais sobre
determinadas coisas que agregam valor exatamente para o chamado em questão.
Outros cuidam quando essa mesma pessoa, no processo, falha, erra, desvia do
foco. Outros criam conexões e contatos pra que portas sejam abertas. Alguns
ainda são pilares de oração e intercessão. E tem também aqueles que ofertam e
sustentam financeiramente pra que, com tudo o resto caminhando, essa pessoa
seja capaz de entrar pelas portas abertas e possa caminhar com seu foco voltado
unicamente praquilo que ela foi chamada. Afinal, alguém que se alista num exército
não se deixa levar por preocupações que não sejam agradar o seu general!
Mas, apesar de ver que algumas
outras áreas também tem falhado, a que mais falha hoje em dia, ao meu ver, tem
sido essa área dos sustentadores. Junto a estes, tem falhado aqueles que
deveriam, com o mesmo coração de Neemias, chamar a atenção para esse fato e
investir tempo discipulando e repreendendo as pessoas que tem falhado nessa
área.
Não, eu não estou voltando a um
tempo legalista, como alguns podem pensar. Não me venha com essa que não somos
mais levitas, que se formos seguir a lei devemos então também não aparar a
barba e esses blá-blá-blás todos porque não tem nada a ver com o que estou
falando.
Se você é daqueles que precisa de
um texto no Novo Testamento pra entender tudo o que te falam, vai lá em Lucas
12:41-48 e se “espante” com um Jesus que fala (até no Novo Testamento) sobre
aqueles que retém o que deveriam doar, que não cuidam com mantimentos na hora
certa daqueles que o Senhor confiou a eles. E, sim, o contexto tem a ver também
com dinheiro, leia o capítulo todo desse trecho pra perceber isso.
Tenho visto uma parte do
Corpo tendo que fazer papel de duas partes. Como se o pé tivesse que ser mão
também, ao mesmo tempo. Isso só mostra a realidade de um Corpo mutilado, ou
então com algum tipo de paralisia, sinal de uma patologia que necessita ser
tratada com atenção, precisa de cura. Como seremos encontrado quando Cristo
voltar? Que tipo de noiva seremos, se estivermos mutilados, paralisados,
quebrados? É assim que queremos estar?
Pense: Um coração doador resulta num corpo saudável!
Enfim, apesar de tudo isso, e não usando como
mais uma desculpa escapista, como Paulo, dou graças a Deus por Cristo Jesus,
porque ainda é por Ele, pelo seu sangue, por lavarmos nossas vestes nesse
sangue..., é por Ele, não se trata de nós..., porque se fosse por nós...
O primeiro Amor que amou primeiro...
By : Kadu
reflexão
baseada nos seguintes trechos: Apocalipse 2:1-7; Lucas 10; 1 João 4; Mateus
7:21-23; Lucas 2:41-50.
E não digo
isso de gente desinteressada, que não busca relevância, mas de gente que de
certo modo busca fazer alguma coisa, algum tipo de diferença. O que acontece é
que em algum momento aconteceu a grande queda que reverteu todo bom trabalho,
toda boa motivação em algo estranho ao próprio Cristo, mesmo fazendo tudo
"em seu nome".
Quando a
igreja de Éfeso é alertada, em Apocalipse, sobre algo que deveria ouvir do
Espírito, o fato é exatamente esse. Jesus diz praquela igreja que a conhece,
que sabe do trabalho árduo dela, sabe de como ela sempre resistiu à mentira e
aos mentirosos. Imagina só, isso é um elogio e tanto. Hoje tomamos por certo
tudo o que fazemos quando recebemos elogios como esses. Se você, seu ministério
ou sua igreja recebesse uma mensagem dessa do próprio Cristo, como ficaria seu
coração?
Creio que
muitas igrejas e ministérios hoje tem ouvido essa parte da mensagem do Espírito
e tomado para si, porém ignorando o que o Espírito continuou dizendo para os
efésios, com muita graça: "tenho, porém, contra ti..."!
A pergunta
é se nós hoje estamos dispostos a ir um pouco além e ouvir o "porém"
do Espírito. E não só ouvir, mas atentar pra isso.
Quando
Cristo envia os setenta discípulos pra irem falar sobre as boas novas, Ele os
enche de autoridade pra isso. E quando voltam, passam um relatório animador,
cheio de vitórias, fruto de seus trabalhos árduos, em nome de Jesus. Eles dizem
que até mesmo os demônios se submetem a eles no nome de Cristo..., isso é
fantástico. Talvez uma marca da aprovação do ministério e trabalho deles.
Porém, o que Cristo diz ali, soa como o que Ele diria mais tarde, para a igreja
de Éfeso: "eu sei de tudo isso meus queridos, eu via satanás caindo do céu
como um relâmpago..., eu mesmo dei essa autoridade pra vocês..., eu sei do que
são capazes em meu nome..., PORÉM, não deve ser esse o motivo da alegria e do
contentamento de vocês. Se alegrem porque o nome de vocês está escrito nos
céus. Se alegrem não por algo que vocês estão fazendo, mas por algo que EU JÁ
FIZ por vocês".
Creio que a
raiz da grande maioria das crises que passamos atualmente tem a ver com esse
fato que Cristo quer nos alertar: não se trata de nós, mas de Deus!
Não se
trata de nossa autoridade, de nosso trabalho, de nossas grandes ou pequenas
obras. Não se trata de nossas responsabilidades assumidas, de nossas renúncias,
de nossas ofertas de amor. Não se trata de nosso jejum, de nossa oração, de
nossa devoção, de nosso louvor, de nosso choro ou riso. Não se trata de nossas
viagens missionárias, de nosso esforço, de nosso suor, de nosso trabalho árduo.
Não se trata de nossa resistência aos homens maus e mentirosos. Não se trata de
nós..., se trata de Deus!
À igreja de
Éfeso, Jesus disse que apesar de todo o trabalho, de reconhecer o esforço
daquela comunidade, eles haviam esquecido de algo essencial: o primeiro amor. O
recado é claro: volta! Lembra de onde foi que caiu, de quando foi que o
trabalho deixou de ser resultado do amor de Deus, que nos amou primeiro...
Até mesmo
nosso amor por Cristo, não se trata de nós..., porque Ele nos amou primeiro! E
nós só o amamos porque Ele nos amou primeiro!
Outro texto
que me lembro aqui é de quando os pais de Jesus o esqueceram em Jerusalém. Pensa
comigo, como é possível alguém esquecer o próprio Cristo numa viagem. Ainda
mais ele sendo uma criança ainda..., ainda mais eles sendo seus pais! A
resposta que mais se encaixa ali é que seus pais estava tão acostumados com sua
presença, com caminhar com Jesus que acabaram por não dar a devida importância
a sua presença com eles..., pelo costume, por aquilo que era normal,
continuaram a caminhada e Jesus os acompanharia. Nem perceberam que Jesus havia
ficado lá.
Assim somos
nós com nossos trabalhos, nossas boas obras, nossos ministérios. Acabamos por
"esquecer" o primeiro amor pelo costume, pela normalidade da vida na
caminhada cristã. Quando deixamos de lado a novidade de vida, dia após dia, de
se andar com Cristo, podemos estar fazendo o trabalho de Cristo sem Cristo.
Quando deixamos de lado aquilo que tínhamos quando nos apaixonamos por Cristo,
quando compreendemos sua paixão por nós e recebemos seu amor para depois o
amarmos e assim ver as obras como resultado disso, acabamos por esquecer Jesus
e continuar a "caminhada cristã".
Porém...
Temos que
voltar...
E a crise
está aí. A grande maioria ou não quer voltar, ou não reconheceu ainda estar
caminhando sem o Caminho.
O problema
da volta é que deve haver o reconhecimento, a confissão, o arrependimento. Os
pais de Jesus tiveram que viajar de volta e procurar por 3 dias pra chegar até
ele. Quando o encontraram ainda tomaram uma boa bronca, ali não do filho deles,
mas do Filho do Pai que nele estava. Isso dói, ainda que seja amor, não é
fácil.
Já o
problema daqueles que ainda nem reconheceram caminhar com Cristo..., bom, pode
ser que cheguem no momento de estarem diante de Cristo e ouvirem um "não
os conheço", apesar de dizerem: "mas em teu nome expulsamos demônios
e fizemos sinais e maravilhas". Que seus ouvidos sejam abertos antes, pra
ouvirem o que o Espírito tem a dizer.
O bom é que
quando reconhecemos isso, que não se trata de nós mas de Deus, muito dessa
crise é superada. Já não vamos mais aos cultos por nós mesmos, por nossa
vaidade, nosso egoísmo. Já não buscamos com toda nossa força recebermos bençãos
e mais bençãos. Já não corremos atrás dos milagres. Já não desejamos tanto
assim as mãos que cumprem as promessas feitas a "mim". Já não
cantamos 80% das músicas gospel nacionais. Já não investimos nosso dinheiro em
coisas que passam ou que tem tanta importância quanto um ar-condicionado ou um
banco acolchoado. Já não ficamos em crise quando o pastor não nos visita 5
vezes por semana. Não culpamos Deus por não conseguirmos um emprego, uma cura
ou qualquer coisa. Não manipulamos pessoas para nosso benefício pessoal. Não
seremos tão paternalistas e ditadores em nossa liderança. As agendas
ministeriais não tomarão conta de tudo, deixando em segundo plano o que é mais
importante, como a família por exemplo. Não nos vangloriaremos de resultados
numéricos. Não disputaremos membros com outros ministérios. Na verdade, nem
mesmo fecharíamos paredes e portas pra delimitarmos nosso território
ministerial ou eclesiástico.
E aí, o
resultado é o amor. O primeiro amor. O Amor que vem primeiro! O amor que
resulta em trabalho. Um trabalho totalmente altruísta, em forma de serviço, em
benefício do Reino do Rei de Amor. Porque, de fato, já não se trata de nós, mas
única e exclusivamente de Deus!
Assuma sua responsabilidade pelo Brasil!!
By : Kadu
"Quando
ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma,
ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos.
Pois sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e,
por todos os lados, te apertarão o cerco; e te arrasarão e aos teus filhos
dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a
oportunidade da tua visitação.
Depois,
entrando no templo, expulsou os que ali vendiam, dizendo-lhes: Está escrito:
A minha
casa será casa de oração.
Mas vós a
transformastes em covil de salteadores.
Diariamente,
Jesus ensinava no templo; mas os principais sacerdotes, os escribas e os
maiorais do povo procuravam eliminá-lo; contudo, não atinavam em como fazê-lo,
porque todo o povo, ao ouvi-lo, ficava dominado por ele." Lucas 19:41-48
Creio que
nosso país tem vivido a algum tempo cercado de trincheiras inimigas, com o
cerco completamente apertado de todos os lados, arrasando conosco e com nossos
filhos. Realmente, se pensarmos em termos de divisão de áreas (saúde, governo,
economia, família,etc...) não tem ficado pedra sobre pedra em nossa nação.
Estamos arrasados em quase todos os índices indicativos, mas estes são
maquiados com uma linda máscara de belos estádios, belos eventos e espetáculos,
belas paisagens em nossas praias passando nas novelas da Globo...
Como Jesus
olhando para Jerusalém, quando olhamos para nosso Brasil dá vontade de
chorar..., e devemos chorar mesmo! Creio que esse choro é o que estamos vendo
acontecer Brasil afora! O choro, o grito, o lamento..., o protesto! Protestamos
porque choramos quando olhamos para os tais índices..., choramos enquanto a
saúde agoniza na maior parte do Brasil. Choramos enquanto nosso governo, que se
diz "dos trabalhadores", do "povo", que anos atrás também
chorou ao ver o Brasil e saiu a protestar, agora enche o bolso de dinheiro e
celebra, com direito a champanhe e caviar, o fato de o "povo", os
"companheiros trabalhadores", "os revolucionários", terem
assumido o poder! Ah, que bom, o poder! Agora o poder é do "povo"!
Ah...
Mas pra que
é que queriam o poder mesmo? Pra tê-lo! E só! Agora é que se põe a prova o que
se reivindicou nas ruas, de cara pintada, tomando borrachada. E qual o
resultado da prova? "Ih, dá zero pra eles!!! "
Meus
queridos, não adianta só chorar e lamentar sobre Jerusalém. Nem adianta somente
expulsar os vendilhões do templo, o covil de salteadores em que o Brasil se
transformou. Brasilzão, não adianta só fazer passeata, levantar bandeiras,
pintar a cara, ter gritos de ordem, cantar no teto de Brasília, fechar a Paulista,
interromper a grande Copa..., se depois de tudo isso apenas, como resultado, sobrar
um monte de lixo nas ruas, fogo nos pneus, vidraças quebradas, ficha suja pelas
detenções, olhos cegos pelas balas de borracha, marcas de cacetete nas pernas.
Temos que,
depois de expulsar os vendilhões, assumir o templo, ensinando o povo como se
deve fazer direito o que estamos vendo ser feito errado! Jesus viu Jerusalém e
lamentou porque não quiseram reconhecer
a visitação dEle. Chorou porque não entenderam o que significava a Vida vindo
até eles. E chorou..., mas Ele viu o que estava sendo feito de errado e
batalhou na prática pra que isso fosse denunciado e essa galera fosse extirpada
dali. Mas, muito além disso, Ele arregaçou as mangas e sofreu no seu próprio
corpo as consequências de se trabalhar pela melhora. Ele ensinou o povo como é
que deveria ser feito. Ele saiu depois pelas ruas e não deixou apenas um monte
de lixo nas ruas, fogo nos pneus, vidraças quebradas, ficha suja pelas
detenções, olhos cegos pelas balas de borracha, marcas de cacetete nas pernas,
mas sim uma marca relevante de como é que deve ser feito pra que as coisas
mudem.
E me
preocupo, não com o que está sendo feito, mas com a responsabilidade que o povo
tá ousando reivindicar sobre si. Temos realmente noção do que estamos
reivindicando? Será que depois que a poeira baixar vamos arregaçar as mangas e
fazer diferente? Será que essa geração que hoje se levanta, e que estava
"adormecida" mas, como "gigantes pela própria natureza"
acordaram, vai fazer alguma coisa na prática pra mudar tudo o que está errado?
Ou vai expulsar todo mundo do templo e deixar o templo vazio?
Já
mencionei isso no facebook, mas escrevo de novo: Ir pra rua, gritar,
pegar bandeira na mão, pintar o rosto, colocar máscara e até enfrentar bala,
bomba e cacetete é até fácil..., quero ver é doar seu dinheiro, seu tempo, seu
trabalho pra que alguém realmente à margem da sociedade tenha alguma
dignidade!! Quer protestar, faz direito..., vai pra rua sim, pra ajudar um
mendigo, um viciado em crack, uma prostituta, um menino de rua..., aí é que
quero ver!! Não se iludam, quem hoje tá no poder te explorando ontem tava na
mesma rua que você, gritando mais que você, apanhando ainda mais que você...,
agora que tem o poder de fazer alguma mudança só curte com nossa cara! Mudar as
realidades não é questão de gritar mais alto ou estar aqui ou ali reivindicando
alguma coisa..., se trata muito mais de ser a mudança! Ser resposta a esse
protesto quem quer? Vai estudar, ralar, trabalhar, ser político, ser empresário
e faz diferente!!!
Sou contra
os protestos? Não! Sou contra ir pras ruas? Não! Sou contra o vandalismo? Claro
que sim! Sou contra o partidarismo político por trás dos protestos? Totalmente
sim! Sou contra parar tudo pra que todo mundo dê atenção ao que se está sendo
reivindicado? Não!
Entendo que
tem muita gente realmente despertando e que esses tempos vão marcar o restante
da vida destes, que depois de tudo vão ralar pra fazer diferença, mas temo que
sejam a grande minoria e que daqui algum tempo a poeira realmente baixe e a
maioria esmague essa minoria de novo e tudo volta ao "(a)normal",
apenas com líderes diferentes, partidos diferentes no poder.
Pense
comigo: não podemos transferir os problemas e a culpa aos partidos políticos,
ou aos líderes, como se nós fôssemos os coitadinhos sofredores da exploração.
Quando você joga seu chiclete ou sua bituca de cigarro no chão (deve ter um
monte disso no final dos protestos), quando você depreda ou picha
estabelecimentos públicos ou privados, quando você estaciona em fila dupla ou
na vaga de deficientes e idosos, quando você fura fila no banco, quando você se
"beneficia" pelo troco errado na padaria ou no mercado, quando você
não recicla seu lixo, quando você dá um "cafezinho" pro policial não
te multar (ou quando aceita o "cafezinho"), quando você manipula
informações pra vender mais, quando você mente pra conseguir seu emprego,
quando você sonega seu imposto comprando ou vendendo sem nota fiscal, quando
aceita uma "ajudinha" em troca de voto, quando não doa seu dinheiro
pra quem tem necessidade, quando passa a perna no seu amigo pra conseguir a vaga
dele, quando dirige embriagado depois de "celebrar" o melhor protesto
que já foi na vida, sua desonestidade e desconfiança, sua inveja com o seu
colega ou vizinho, enfim( poderia ficar o dia todo descrevendo ações simples
que você e eu temos o costume de fazer) quando é conivente ou realiza qualquer
uma dessas ações você está sendo exatamente o alvo do seu próprio protesto.
Assuma suas culpas, mude suas próprias atitudes e sim, proteste nas ruas, tire
quem tá no poder!!
Mas depois,
assuma você o poder, com atitudes diferentes! Como já escrevi acima, expulsar
os vendilhões pra deixar o templo vazio não adianta nada! Porque, como bem
"profetizou" o filme tropa de elite, quando cai um corrupto, logo tem
outro pra assumir o lugar. Saturemos pois o Brasil de não-corruptos pra que
quando o último corrupto cair não haja mais nenhum pra assumir o poder..., e
isso começa de mim e de você!
Por fim,
uma história real contada por uma pessoa que com certeza estaria aí nas ruas
protestando (se fosse daqui!) mas que trabalhou e ainda trabalha não só pra
conscientizar e ensinar as pessoas que é possível ter uma nação melhor,
transformada, mas pra que ele mesmo seja essa transformação, o indiano Vishal
Mangalwadi, reformador social, colunista político, escritor e palestrante. Ele
nos faz pensar em nosso Brasil atual e nossas reivindicações, nossas
responsabilidades perante elas.
Ele conta
essa história depois de ouvir de um indiano, que mal falava inglês, que era
possível ser empresário de sucesso na Inglaterra. Quando Vishal pergunta como
isso é possível, este indiano, sr. Singh, lhe responde: "Porque lá todos
confiam em você." E segue-se a história:
"Poucos
meses depois, Ruth e eu estávamos na Holanda falando em uma conferência anual
de uma das maiores instituições de caridade daquele país. Em uma das tardes,
nosso anfitrião, o Dr. Jan van Barneveld, disse-me: "Venha, vamos buscar
leite." Nós dois fomos até a fazenda de gado leiteiro cruzando a bela
paisagem holandesa, com lindas árvores. Eu nunca tinha visto tanto leite! Havia
uma centena de vacas, porém não havia funcionários no local, e tudo parecia
incrivelmente limpo e organizado. Na Índia nós tínhamos uma pequena fábrica de
laticínios, mas contávamos com dois funcionários e o local era sujo e
malcheiroso.
O contraste
chamou minha atenção, porque na região onde eu morava, pelo menos 75% das
mulheres gastavam por volta de uma a duas horas recolhendo esterco com suas
próprias mãos, depois colocavam tudo em cestos, que então carregavam sobre suas
cabeças até seus quintais onde, mais tarde, transformariam o esterco em
combustível para cozinhar.
A fábrica
de laticínios holandesa, que visitei, me surpreendeu porque ninguém estava lá
para ordenhar as vacas. Eu nunca tinha ouvido falar de máquina que ordenhassem
vacas e despejassem o leite em um enorme tanque. Entramos na sala do leite e
ninguém estava lá para vender o leite. Eu esperava que Jan tocasse um sino, mas
ele apenas entrou, abriu a torneira, colocou sua jarra e a encheu. Então ele
foi até um peitoril, baixou um pote cheio de dinheiro, tirou sua carteira,
colocou vinte moedas de florim holandês, pegou o troco, guardou em seu bolso,
devolveu o pote ao seu lugar, pegou a jarra e começou a andar. Eu estava
atordoado!
"Cara",
eu lhe disse: "se você fosse um indiano, você pegaria o leite e o
dinheiro." Jan riu.
(...)
De volta à
Holanda, naquele momento de riso, eu então compreendi o que o sr. Singh estava
tentando me explicar no avião para Londres. Se eu saísse com o leite e o
dinheiro, o proprietário do leite teria que contratar uma vendedora. Quem
pagaria por ela? Eu, o consumidor!
No entanto,
se os consumidores são desonestos, porque o fornecedor seria honesto? Ele
provavelmente acrescentaria água ao leite para aumentar o volume. Sendo um
ativista, eu protestaria que o leite foi adulterado, e o governo teria de
contratar inspetores de leite. Mas quem pagaria pelos inspetores? Eu, o
contribuinte!
Se o
consumidor e o fornecedor são desonestos, porque é que os inspetores seriam
honestos? Eles seria subornados pelos fornecedores. Se não recebessem suborno,
eles usariam uma lei ou outra para se certificar de que a venda ficaria
atrasada o suficiente para fazer coalhar o leite não refrigerado. Quem pagaria
pelo suborno? Inicialmente, o fornecedor, mas eventualmente o consumidor.
Até então,
eu teria pagado o leite, a vendedora, a água, o inspetor e o suborno, e não
teria dinheiro suficiente para comprar chocolate para adicionar ao leite. E sem
chocolate, meus filhos não gostam de leite. Consequentemente eles não seriam
tão fortes como as crianças holandesas!
Depois de
pagar por todas essas coisas, a chance de sobrar algum dinheiro para levar meus
filhos ao cinema sábado à noite e comprar sorvete pra eles, se resumiria a
zero. A pessoa que faz e vende sorvete aumenta muito o valor do leite, enquanto
a vendedora, a água, os fiscais e o suborno não aumentam em nada seu valor. Ao
pagar por tudo isso simplesmente contribuo com o meu pecado: a minha propensão
em cobiçar e roubar o dinheiro e o leite do meu vizinho. O alto preço do pecado
impede que sobre dinheiro para o sorvete. Minha cultura de desconfiança e
desonestidade rouba-me o dinheiro que poderia ser usado para proporcionar uma
vida melhor para os meus filhos e emprego produtivo para os meus vizinhos.
A visita
àquela fazenda me ajudou a entender porque um pequeno país como a Holanda é
capaz de doar dinheiro a uma nação muito maior, como a Índia. Também me ajudou
a entender o que meu colega passageiro, um empresário semi analfabeto, estava
me explicando. Ele poderia dizer o que os especialistas econômicos evitam
discutir: que a integridade moral é um grande fator por trás do sucesso
sócio-econômico/sócio-político do Ocidente." (Verdade e Transformação,
Publicações Transforma, Vishal Mangalwadi, págs. 25-27) Compre o livro!!Tag :
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trabalho,
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Vishal Mangalwadi,





