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Click (mais um processo!!)

By : Kadu
Estou lembrando aqui do filme Click, com o Adam Sandler..., muito bom..., não viu???
Muita coisa boa dá pra tirar dessa história.
Tem um momento que acho que é especial. O (ou a) personagem vivida pelo Adam vai conversar com o tal Morty (aquele que arruma o controle remoto universal pra ele!) sobre passar direto alguns "capítulos" de sua vida, pra não ter que passar pelo processo longo da espera e do trabalho cansativo pra conseguir o tal cliente que vai lhe proporcionar ser sócio da empresa que ele trabalha. Ele pergunta ainda o que Morty acha e a resposta dele é que ele é quem tinha o controle nas suas mãos..., agora ele é quem decide!!
Ele já havia usado o controle remoto e tinha visto os "benefícios" de passar direto por alguns momentos que ele julgava serem ruins ou chatos. Sempre com seu próprio senso de julgamento, é claro! Aí ele vê que vai demorar mais do que ele imaginava sua promoção à sócio da empresa..., pronto!!! Tá aí a oportunidade de usar o controle remoto de novo, talvez no momento mais especial e marcante de sua vida (de novo, segundo seu próprio julgamento!). Afinal, são só alguns meses e, como ele mesmo diz, ele vai perder somente algumas irritaçõezinhas da esposa, etc...
Interessante que ele já havia ficado assustado ao perceber que passando direto por alguns "capítulos" de sua vida o faziam perder alguns momentos que eram realmente importantes, principalmente para o desenvolvimento de suas relações familiares. Mas, o que importa mais??? Quem vence sempre na nossa batalha pela justiça??
Mais uma vez olho pra mim mesmo e me procuro nesse meio. Onde é que busco ansiosamente por esse controle remoto universal da minha vida??? Onde é que quero ter o controle de decidir por quais processos passar e quais tenho que pular, ao alcance de um clique!? Porque tenho essa ância de não passar por determinados processos demorados ou chatos, que são determinados pelo meu próprio senso de julgamento?
Creio que a resposta possa ser falta de confiança em quem eu (disse) que entreguei o controle da minha vida! Por não confiar nEle não consigo esperar..., por não esperar pulo capítulos essenciais da minha vida, estando, como Adam, somente de corpo presente, mas não de alma..., no piloto automático, como diz Morty.
Quando pulo capítulos passo direto pelos relacionamentos, sem dar devida importância à eles, me relacionando no piloto automático..., não há profundidade em nenhuma atitude, em nenhuma palavra. Não aproveito os momentos..., não extraio o máximo de cada momento..., não aprendo com as dificuldades..., não aprendo nada!!!! Perco os momentos graciosos da vida..., os simples e marcantes!! Não percebo os olhares e gestos de carinho das pessoas ao meu redor me dando força na caminhada..., nem mesmo da minha esposa, parte mais importante de mim!!! Esqueço que sou um com ela..., faço dela apenas mais uma comigo!!
Deus..., é complicado..., mas não quero pular capítulos por causa do meu senso de justiça!! Quero acordar todas as manhãs e entregar minha vida e caminhar diariamente pra você!! Quero aprender a confiar mais na sua justiça e em suas vontades em mim!! Quero aprender a viver o hoje, todo dia..., o amanhã trará os seus cuidados!! Não quero colocar minha vida no piloto automático quando julgar não ser importante tal momento!! Quero aprender a olhar mais para os relacionamentos ao meu redor..., às pessoas que vão contribuindo pra essa caminhada..., e que também precisam de mim de corpo, e alma, e coração...
Enfim..., quero passar pelo processo!!!!

Sobre o Novo (meu quebra-cabeças sendo montado)

By : Kadu

Esse dias tem um quebra-cabeça meio que sendo montado na minha cabeça..., várias coisas que tenho lido, ouvido, orado, pensado tem se encaixado..., algumas com certa dificuldade. Talvez ainda falte peças, talvez eu esteja querendo encaixar peças que não servem ainda, precisando de outras pra dar certo..., o que sei é que esse texto da Hellen é mais uma peça do quebra-cabeça..., escuro, como no último post. Lê aí e comenta!!

by Hellen Braga – Setembro de 2009
Eu não sei você, mas minha relação com tudo o que se chama Novo não é muito fácil. A assimilação desse vocábulo que envolve tudo que é processo que desencadeia as propriedades de uma novidade envolve sofreres para mim, muitas vezes sonorizados e por outras silenciados. Mas, tudo bem, vejamos o que podemos construir de ponte para eu não começar de fato a acreditar que eu sou a única que lido com o NOVO assim. Certamente existem aqueles para quem eu tiro o chapéu (“tá vendo, até minha expressão que denota reconhecimento irrigado por admiração é antiga”) que se preparam para o Novo, vivem esperando por ele, vivem em função dele, a atualmente construir o Novo se tornou uma atividade altamente rentável. Eita gente boa, de peito aberto, de mente aberta, que sente o cheiro do Novo mesmo quando ele está se insinuando de longe apenas, ou mesmo quando ele nem se insinua essa gente traz o Novo "na marra" à existência. Eu confesso minha fraqueza, sei lidar melhor com o que já conheço. Na verdade, nem sei se é isso de fato que justifica minha complicada relação com o Novo, mas enfim, como a gente às vezes precisa ter algum tipo de explicação ... risos, elaborei a minha.
Mas esse negócio de Novo tem me intrigado, me tomado horas do meu sono. Por vezes fico olhando meu marido dormir e penso: “Por que não posso dormir tranquilamente como ele, e pensar nessas coisas no horário comercial?” E desde que ouvi um amigo que afirma “odiar pregar” falar sobre Josué capítulo 3, eu tornei o trecho dos versos 1 ao 6 material de meditação e de perturbação paralelamente e nem sempre nesta ordem. Lembrei do William Wilberforce, ele tem me ajudado em momentos de angústia, não sou a única, quando arguido por seu mordomo se havia encontrado Deus, e o mano William afirma que Deus o havia encontrado e que seu mordomo não fazia idéia do quanto isso era desconfortável. É, estou exatamente desse jeito ... DESCONFORTÁVEL, minha real expectativa é que não esteja nessa condição sem ter sido achada por Deus como o William porque senão estarei realmente em apuros.
O Josué, ou quem resolveu contribuir registrar um pouco da saga desse guerreiro hebreu, permitiu que a história dele e a etapa que estava para começar com o povo de Israel se associasse ao Novo. Ele não iria "pegar carona" no know-how de Moisés, precisou construir seus próprios caminhos para chegar na cara da terra prometida. Ele até conhecia a trajetória mais curta para entrar em Canaã, mas com esse negócio de Novo o que “já nos era conhecido” vai literalmente para o espaço, ou como diria uma expressão antiga: “Vai pra cucuia!!!” Tô rindo aqui enquanto escrevo e pensando, “caraca, como tem coisa antiga dentro de mim, nem as expressões tem encontrado substituição”, na verdade tento casar o meu antigo com o Novo o tempo inteiro. Mas Deus não deu essa moleza para Josué não. O povo já íntimo da Nuvem e da Coluna de Fogo e o próprio Josué tiveram que rasgar seus mapas, quem os lideraria diretamente a partir daquele momento de introdução na tão sonhada terra prometida seria a Arca da Aliança. Se Deus queria promover um movimento de popularização da Arca, de fato Ele conseguiu. Engraçado, podemos tomar nossas experiências como nossa referência de orientação para o futuro, mas é a presença de Deus que nos lidera para frente e para o futuro, as experiências ajudam no processo mas não determinam se vamos de fato chegar nesse futuro. Josué e o povo por quem ele se tornara responsável estavam vivendo um período de transição, e acho que já perdi as contas das vezes que ouvi ou li sobre estarmos vivendo em tempos de transição, chego a pensar que na verdade esse lance de estabilidade é uma parada assim tipo “o santo gral”, um lance muito procurado mas não achado, mas enfim, só estava tentando esticar um pouco mais meus neurônios mas pela hora seria exigir demais que fossem mais longe, então me permita continuar na minha linha de raciocínio e simplesmente te afirmar que a História sempre está em transição, até porque nosso descanso não é aqui, então com isso estabilidade ficará para outra etapa da vida da maioria de nós (eu espero)– a eternidade, de preferência com Deus. Diante do Novo ou nos pautamos em nossas experiências ou seguimos a Arca, não tem jeito. E para piorar a minha situação nessa questão de lidar com o “tal do Novo” a orientação recebida é que o povo, na verdade todo mundo, mantivesse uma determinada distância da Arca porque precisavam conhecer o caminho em que haveriam de ir. E o autor para esmagar de vez toda minha tentativa de construir alguma segurança, resolveu dar uma valorizada no texto afirmando que por tal caminho eles NUNCA haviam passado antes. “Fala sério! Além de entrar numa terra que eles só tinham a promessa, ainda teriam que submeter-se a mais aventuras no tal do caminho Novo”. Será que Deus consideraria o meu parecer de que caminhos já conhecidos são mais seguros? Tudo bem, já sei o que você respondeu, não fico ofendida não.
Interessante, desde a minha adolescência quando li Josué pela 1ª vez essa "paradinha" de manter distância da Arca me chamou atenção, ficou como uma “pulga atrás da orelha” (olha aí mais uma pérola), uma PD (Passagem Difícil) como chamamos na Escola de Estudos Bíblicos, ou pessoalmente PDPM (Passagem Difícil Pra Mim). Distância nunca teve conotação boa, né? Deus queria guiar o povo, mas ao mesmo tempo queria distância do povo, que “parada sinistra”(xiii saiu, e eu nem sei se o local é adequado para o uso). Desculpe, mas levei anos para capturar uma lição aqui, certamente você já havia “manjado” que por trás dessa distância estabelecida a mensagem que estava sendo acionada não era INACESSIBILIDADE. Deus não proporia o Novo e daria uma de Inacessível, “tipo” se virem porque agora estou ocupado, descubram por si mesmos o Novo caminho, esse tipo de ação não regula com o caráter Dele. É galera, levei anos para só agora entender que a distância comunicava exatamente o ACESSO a todos. Todos mesmo de longe poderiam ver a Arca da Aliança e serem guiados por ela ao Novo caminho pelo qual nunca haviam passado antes. Todos teriam visibilidade e não apenas um grupo privilegiado. VISIBILIDADE, gostei desse termo que expressa a forma como o Deus do Novo caminha comigo. O caminho Novo que Ele me propoe não é só meu ou de um grupo, é de todos, todos tem a oportunidade da visibilidade. O Deus que me guia, guia você. Gosto dessa atitude integradora do Pai.
É, a Arca propõe caminhos inéditos, de fato inusitados, por vezes assustadores pra mim. Normalmente esses caminhos não possuem precedentes para nos garantirmos neles. Tenho sonhado com coisas, momentos e oportunidades que nunca havia ambicionado antes. Isso dá um “frio na barriga” (ah não é possível que tenham aposentado essa expressão que decodifica tão bem a minha reação quando tenho que lidar com o que eu não planejei ter no meu roteiro). O Novo que não tem precedentes não fornece modelos paralelos a fim de serem ativados (só de pensar nisso fico apavorada, você não porque certamente você é uma pessoa resolvida, eu tenho meus enguiços). De fato, naquilo que chamamos Novo o único precedente que temos é o elemento que nos guiou até ele – a Arca, ou para os íntimos, a presença de Deus. Me veio à mente a confusão que aconteceu no mundo quando os navegantes que lideravam as grandes embarcações em alto mar eram guiados pelas “estrelas no céu”, sempre para o Norte, e uns tais de chineses ... risos, inventaram a bússola, mas quem acabou ficando com os louros foram os europeus ... questão antiga essa, mais antiga do que meu enguiço com o Novo. A bússola era um trequinho com 2 agulhas magnéticas, na verdade o nome bússola significa “pequena caixa”, e é exatamente isso o que ela é. Uma caixinha (claro que atualmente é mais sofisticada do que quando foi inventada, mas de qualquer forma continua cumprindo efetivamente sua vocação – indicar direção). Uma das agulhas de metal orientada por magnetismo sempre indica o Norte e a outra agulha também orientada por magnetismo indica a posição real. Não parece não, mas esse “negocinho” deu o que falar. Você acredita que homens treinados e experientes em ler a imensidão dos céus e guiar suas embarcações pela posição das estrelas iriam engolir facilmente que “naquela caixinha” estava a orientação correta que os fariam chegar a seus destinos? É sempre tem os otimistas que aguardam com ansiedade por uma novidade. Não penso que a bússola tenha sido introduzida no mundo das navegações sem nenhum tipo de resistência. Mas aquela caixinha pequena deu início a um Novo tempo no mundo. A humanidade deve à bússola todo o processo de expansionismo marítimo e comercial. Caraca!!!! Houve tempos que Deus guiou homens pelo mar através das estrelas, depois Ele permitiu que um pequeno instrumento os liderasse aos seus destinos – a bússola. Será que Deus tá querendo me liderar através da bússola e eu ainda estou agarrada à leitura das estrelas? Me deixar guiar pelas novas bússolas significa não olhar mais para as estrelas? É como diz a galera “tô bolada aí!”. Embarcações gigantescas sendo guiadas por uma caixinha. Um futuro sem precedentes sendo liderado por uma Presença. Preciso dar outros rumos ao meu entendimento sobre o Novo, ficar olhando para as estrelas nesse momento em que as bússolas já existem e estão disponíveis pode complicar consideravelmente minha rota. Tenho medo, mas o Novo tem uma essência, e a essência do Novo definitivamente não é a novidade por si só. O novo tem origem, tem nascedouro. O caminho Novo pelo qual o povo de Israel nunca havia passado antes tinha gênese – a Presença. O Novo divorciado da Presença é só mais um modelo vazio, “tipo” o sucesso meteórico de uma banda de rock que ninguém viu, ou ouviu mas afirmam ter feito um sucesso danado. Mas o Novo associado com a Presença tem significado, tem uma construção a executar, normalmente tem peso de benefício para a humanidade, tem peso de eternidade para muitos. Tem tempo de duração estipulado, depois se transforma em antigo porque já cumpriu o seu papel, já satisfez ao seu chamado. Mas o Novo quando associado à Presença é legítimo, não é mera cópia, ou informaticamente falando, não é um “download qualquer”de tempos passados, é único. Pode mudar as expressões, as cores, os formatos, mas a essência – Não, essa não. Talvez a melhor maneira que eu tenha no momento para representar o que tenho aprendido sobre o Novo gerado pela Presença e liderado por ela, é que quando olho para a História dos camaradas que rasgaram seus mapas para serem liderados pela Arca, ou para os que já “sacaram”, pela própria presença do Deus que tece a História de forma interativa com os homens, é que o Novo de Deus é legítimo, é igual as “sandálias havaianas”, elas já existem em torno de 40 anos, seu diferencial era ser um calçado feito de borracha, inicialmente circulou no mercado com as cores básicas e a tradicional branquinha. Ao longo dos anos as havaianas já ganharam inúmeras roupagens, virou objeto de grife, caro, deixou de calçar apenas os pés dos pobres e ganhou os pés das celebridades, mas ainda é dito sobre elas: A concorrência bem que tentou, mas não contava com a qualidade das “legítimas”, as únicas que “não deformam, não têm cheiro e não soltam as tiras”.
O caminho Novo que parece que Deus está me propondo é legítimo, pode ganhar cores e formatos diferentes em estações específicas de minha existência, mas continua tendo Gênese Nele, apenas Nele, somente Nele. Certamente isso tem me feito começar a tratar o Novo de forma menos animista e mais relacional. Mas devo confessar, ainda tenho medo.

Um desabafo da madruga por Hellen Braga (hellen_guia@yahoo.com.br)

Pensando em Vocação a partir de William Wilberforce

By : Kadu
Pensando em Vocação a partir de William Wilberforce
por Hellen Santos da Guia – Junho de 2009 (hellen_guia@yahoo.com.br)


Escrever sobre Vocação e seus possíveis desdobramentos não é uma tarefa fácil e nem confortável porque definitivamente ela não dá palavra final sobre a sua vocação, não dá diagnóstico, pelo contrário, talvez suscite questões que você não teve até então. De qualquer forma me perdoe ... é parte da minha vocação relacionada a construção de conhecimento relacional e transformacional – “PROVOCAR” ..., mas por favor, conflite-se e divirta-se. Em alguns momentos talvez você vai usar a expressão: Eureca!!! Era isso, era essa palavra que eu precisava para encaixar no meu quebra-cabeça de mais de 1.000 peças chamado Destino. Em contrapartida, você terá surtos de ódio da minha pessoa, talvez deseje me matar na próxima vez em que me encontrar com expressões do tipo como argumento: “Por que ela tinha que acender essa luz nas minhas trevas?” ... risos. Tudo bem, você vai considerar melhor e desistir do desejo de me matar; tenho pouco tempo de casada para você se dar a um ato tão hediondo.

A introdução foi muito pessoal, mas minha intenção é ser o mais consistente que puder com você. Afinal, quanto mais conhecermos a verdade, mais livres seremos para viver a verdade sobre nossa existência. Aliás, para falar de vocação, nós não vamos evocar os testes feitos ou no final do 1º grau (essa era a nomenclatura da minha época) ou no final do 2º grau para descobrir qual seria a “facul” (essa é a nomenclatura atual) certa. Vou precisar que você me acompanhe numa viajem meio filosófica, mas necessária.

Todos nós, por mais centrados que sejamos, por mais funcionais e equilibradas que tenham sido nossas famílias, em algum momento da vida lidamos com questões do tipo: “Quem sou eu?” e “Para que existo?”, alguns reelaboram essa questão de tal maneira que ela fica assim: “Para que de fato eu existo?”, porque essas pessoas descobrem que podem fazer muitas coisas, poderiam até mesmo se dar bem em muitos cursos acadêmicos superiores, tem habilidades diversas, mas procuram algo tipo o carro-chefe que move sua existência. Portanto, não temos como mexer no nicho Vocação sem associá-lo a questão da identidade do indivíduo. Ah! Hellen, você está querendo que eu me livre do resultado do teste vocacional que fiz na minha escola amada e querida? Isso, mesmo, você acertou! Vamos falar de vocação considerando quem você É, sua identidade.

William Wilberforce pode nos ajudar bastante com a questão dos conflitos que envolvem descobrir, assumir e executar nossa vocação de fato. Talvez muitos não tenham esse querido em seu repertório bibliográfico, mas seria interessante considerá-lo. William Wilberforce nasceu em 24 de Agosto de 1759 em Hull, uma cidade portuária da Inglaterra. Como ele perdeu o pai muito cedo, sua mãe o enviou para ser criado por tios, onde esteve debaixo de forte influência cristã, como George Whitefield, um reformador de peso que trabalhou em prol de despertar a fé cristã em decadência na Inglaterra e também por John Newton um ex-traficante de escravos que se converteu ao Evangelho de Cristo, tornando-se um relevante pregador da Verdade, cujo a formação teve grande influência da Teologia de Lutero e dos reformadores. Este último se tornou uma espécie de herói, de ícone, de referência para Wilberforce. A mãe de William preocupada em ter o filho metido com “evangeliquismo” ... risos, isso ainda existe hoje; trouxe o filho de volta e o enviou para um internato. Depois disso William deu continuidade aos seus estudos na Universidade de Cambridge, para sua mãe o convívio com a ciência iria destruir qualquer subsídio de fé cristã que tenha sido plantada em sua mente e seu coração. Pobre mãe, os estudos foram profundamente úteis para aclarar as idéias, mas não destruíram sua fé completamente. Ele se tornou um parlamentar aos 21 anos de idade, e baixo a influência daqueles seus mentores lá da infância e início de adolescência se inclinou à luta contra a escravidão. Já engajado na carreira política, William viajou ao sul da França onde teve de fato a sua experiência pessoal de conversão, os historiadores datam sua conversão em 1784.

Você deve estar se perguntando: “Onde entra essa parada de vocação em toda essa história?”. Gente, pois aqui é o ponto. Deixe-me contar a continuação disso tudo, pois o que aconteceu com o mano William, acontece com muitos de nós. Quando ele voltou para a Inglaterra procurou seu velho amigo John Newton apresentando uma crise vocacional, agora que tinha se convertido de fato, queria ser um pastor, um pregador da Palavra da Verdade, queria servir com sua voz, e tinha habilidades, talentos e dons para isso, era um estudioso, um excelente orador, enfim, tinha tudo para descobrir quem era de fato em Cristo e o que podia fazer para o Reino. Tinha que deixar tudo e se dedicar exclusivamente a obra de Deus.

Normalmente, fazemos essa cisão quando convertemos, tem coisas que fazemos porque temos talento e tem coisas que fazemos porque Deus nos chamou, ... “é complicado lidar com essa duplicidade que a gente alimenta”. Por favor, confessa aí para eu não pensar que eu fui a única.

Bom, antes de voltarmos ao William, vamos considerar algumas coisas. A Identidade contém a Essência do Ser, você eu temos um tipo de dignidade que por si só nos valoriza mesmo que passemos a vida toda sendo negligenciados por outros – Ser imagem e Semelhança de Quem nos criou nos assegura senso de significado enquanto ser. E existir com sentido é tudo que muitos passam a vida toda buscando em religiões ou em terapias. Então, Identidade mexe com a questão da nossa origem. William Wilberforce descobriu sua matriz originária ao se converter, e isso foi legítimo. A gente também pode concluir então que a Identidade carrega a marca da existência.

Voltando ao William, ele como eu e você queria deixar tudo para servir a Deus, e entendeu que seria mais útil como pregador do que como político. O reverendo anglicano John Newton teve muitos e muitos diálogos do tipo “cabeça” com o jovem parlamentar, até que este entendeu que a causa da abolição da escravatura na Inglaterra que ele já tinha abraçado teria muito mais abrangência através de sua ação como político do que como pregador, ele acreditou que Deus o fez para esse propósito. E de fato, Wilberforce após entender seu caminho vocacional e do quase desvio do mesmo capturou a mensagem da vocação, que segundo Rubem Alves é como uma voz interior que nos aponta um caminho, e é melhor segui-lo.

Enquanto Identidade carrega a marca da existência, a vocação carrega a marca do nosso destino. William capturou a idéia que Matinho Lutero desenvolveu sobre vocação enquanto caminhava com Deus nas suas próprias questões e crises vocacionais. Segundo Martinho Lutero, vocação não é tanto uma questão do que nós fazemos, mas sim uma questão do que Deus faz em nós e por nosso intermédio. Deus decidiu agir por intermédio dos seres humanos, que, com suas diferentes habilidades e de acordo com seus diferentes talentos, servem uns aos outros dentro das relações.

Poderia ainda arriscar minha definição de vocação que foi ratificada na minha leitura do livro “Venha o teu Reino”, livro organizado pelo Jim Stier, fundador de JOCUM Brasil, no capítulo escrito por . Uma vez que a Identidade determina a essência do ser, a vocação é a ação do ser, uma vez que pode ser entendida como a equação de dons, talentos, habilidades, potencialidades, competências e personalidade do ser, que dotado de tudo isso pode dentro de seus relacionamentos construir uma resposta real a uma necessidade real que vai servir além de si e além de seu próprio tempo a outros. Complicou ou ajudou?

Bom, talvez o final da história do mano William, nos ajude a dar aquela amarradinha final (não no diabo gente, nas idéias, por favor). Nosso mano conseguiu no cenário da política exercer a sua vocação, não era cumprir uma tarefa, um mandato e se dar bem, elaborar leis, planejar uma plataforma política, angariar votos, assinar dúzias e dúzias de papel, era além da tarefa, tinha a ver com a missão de vida do cara. Sendo pastor ele não iria poder elaborar uma Lei que iria por fim culminar na abolição da escravatura, o máximo que ele conseguiria como pastor seria exercer influência na formação da mentalidade de jovens que se engajariam na política e ..., ah, você já sabe o que iria acontecer, ele faria com outros jovens o que John Newton fez com ele e o processo da Abolição se estenderia talvez por mais umas boas décadas. Claro, o caminho não foi fácil, descobrir sua vocação e seguir seu próprio destino NUNCA é tarefa fácil, mas posso te afirmar uma coisa, todo esse processo constrói um tipo de estrutura interna, que faz você continuar insistindo mesmo quando outros vão desistindo no caminho, porque você tem aquela convicção interior de aquilo é seu destino, seu caminho, ou como queira chamar – missão de vida. William Wilberforce fez o seu primeiro discurso no Parlamento contra o mercado escravo no dia 12 de Maio de 1789 e apresentou a sua primeira declaração para a abolição em 1791, a qual foi derrotada por 163 votos contra 88. Continuou a sua campanha dentro do Parlamento e, juntamente com um grupo de amigos, ajudou a Sociedade Anti-Escravatura. Em 1792 conseguiu ver a sua declaração para a abolição gradual aprovada, mas sem data exata para entrar em vigor. Tentou novamente em 1804, e em 1805 fez de tudo para fazer passar uma declaração na Casa dos Comuns. Contudo não foi bem sucedido. Uma tentativa final, em 1807, saiu vitoriosa e saiu uma lei no dia 25 de Março de 1807 para abolir a escravatura. Wilberforce foi aplaudido pelos seus camaradas no Parlamento, mesmo os que eram contra a sua luta, por conta da sua perseverança.

Imaginem se ele resolvesse se desviar nobremente de sua vocação se tornando pastor? Por favor, nada pessoal contra a vocação pastoral, ela é tão louvável quanto a vocação política, mas se não for a sua seria um desastre segui-la mesmo em nome de Deus, e um desastre para ovelhas que deveriam ser cidadãos que votariam em você, mas não teriam que ir pro gabinete pastoral receber seus conselhos. Fiquei pensando no que seria das crianças, dos louquinhos e dos velhinhos se eu tivesse caminhado nos trilhos dos sonhos de menina de me tornar pediatra, psiquiatra ou geriatra. Meu Deus, melhor nem pensar.

Tem muito mais coisas que poderíamos conversar sobre vocação, mas se com a ajuda do mano William tiver conseguido tirar de sua cabecinha gospel a idéia de que vocação é a escolha da profissão certa, ou algo do tipo “profissionalização do dom”, vou ficar feliz e imagino que a nuvem de testemunhas segundo o escritor de Hebreus, da qual devem fazer parte agora o mano William e o reverendo John Newton também. Para mais detalhes veja o filme “Amazing Grace – Uma Jornada para a Liberdade”, você e eu temos o compromisso de conhecer a nossa Herança Protestante, pois sem isso, desculpe, não há condições de sermos relevantes em nosso próprio tempo sem considerar o exemplo da obediência de outros, e isso não significa responder exatamente como eles responderam, mas considerar os princípios, valores e verdades que lideraram suas vidas e suas decisões. Um povo que não conhece a sua História está fadado a repetir os mesmos erros do passado, e isso afeta profundamente o processo de desenvolvimento da humanidade e das futuras gerações. Algo sobre vocação que não poderia deixar citar diante dos exemplos desses manos: Vocação não é aquilo que faço para me realizar, mas sim para promover e realizar outros, a realização atrás da qual passamos a vida toda correndo para alcançar, ou desfrutar ... sei lá o verbo mais adequado para utilizar aqui; é justamente fruto de cumprir meu destino enquanto sirvo outros. Sem serviço ao próximo o resultado final da equação que envolve vocação e indivíduo não termina igual a realização. Projetos vocacionais mesmo em nome de Deus que essencialmente não servem ao outro pode ser avaliado como promoção pessoal e não algo que glorifique a Deus e some num universo de muitas inteligências.

Termino com uma citação de outro mano rico em suas contribuições, Francis Shaeffer: É algo para refletirmos não só na questão de nossa vocação e do lugar dela no mundo mas na qualidade do Cristianismo baseado no qual exercemos nossas vocações: Em um debate Schaeffer fez 2 perguntas as quais precisamos responder com nossa vida e com a obediência à nossa vocação: Você acha que nossos contemporâneos nos levarão à sério se não praticarmos a verdade? Em uma era em que não se acredita que a verdade exista, você realmente acredita que teremos credibilidade se não praticarmos a verdade? E eu acrescento: Mesmo que seja no âmbito da nossa vocação?

Galera do Bem, façamos de nossa vida, cumpramos nossa vocação de maneira que no final não se tenha a obrigação de muitos atos, mas se expresse muita obediência, pois até mesmo nas anônimas escolhas e decisões Deus pode dar desdobramento ao caminho de muitas pessoas além de nós.

Valeu por me lerem, espero que as idéias tenham provocado muitas questões, e que a vida de Wilberforce te inspire a responder a Deus com sua própria obediência, aquela que só você poderia construir caminhando com Ele.


Hellen Guia
Com a revisão do meu maridão Celso Braga.

"Frustrações" e "Êxitos" - Rm. 8:28

By : Kadu
Na vida temos muitos momentos de “frustração”. Nesses momentos repensamos, “pulamos fora” de onde estamos, mudamos o rumo, ou simplesmente ferimos a nós mesmos, os outros e a Deus. Também temos muitos momentos de “êxito” e isso parece ser o que nos impulsiona pra continuar caminhando, indo em frente na direção que já estávamos, afinal, “em time que está ganhando não se mexe”. Também, inevitavelmente ferimos alguém nesse “êxito”.
Até aí, tudo normal. O problema é que mesmo nestes dois momentos o centro de tudo, o ponto de partida e a chegada, têm a ver estritamente conosco. A vida hoje é super corrida. O tempo passa depressa. O amanhã já foi, o agora já passou também. E na nossa visão estamos sempre perdendo tempo.
O que não sabemos é que esse conceito, esse julgamento é só nosso. Muitas vezes nos apoiamos em conceitos e julgamentos doutrinários, teologicamente corretos, afinal existem doutrinas e teologias pra todos os gostos e aplicamos em nós aquela que julgamos ser melhor pra nós. Novamente: NÓS julgamos! Ainda que esses conceitos e julgamentos estejam biblicamente alicerçados, o julgamento final é sempre nosso.
E assim seguimos em frente. De “frustração” em “frustração”, de “êxito” em “êxito”. Chega um momento que cansamos!! Desanimamos! Aí sim, nos sentimos realmente frustrados!! Aí a minha conotação de frustração perde as aspas, porque essa sim é real..., não está baseada em suposições ou julgamentos que EU criei.
Com certeza, esse é o ponto onde há também o verdadeiro êxito, aqui também já sem aspas. O êxito de Deus sobre nós.
Só que nesse real momento de frustração e êxito não dá pra simplesmente ir levando. É tempo de parar..., de, como no livro, ir pra Cabana trocar uma idéia com Papai, Sarayu e Jesus Cristo. Aí vamos descobrir que o nosso maior problema somos nós mesmos. Nossa (falsa)segurança em antecipar o futuro, fazer os julgamentos do que é bom ou mal no presente e viver o possível pra não haver “frustração” e sim “êxito”. Inclusive como se isso fosse o ponto final de nossas pobres vidas.
Olha pra sua vida..., vê aí se não é exatamente isso que você também faz!! Levando em consideração somente o que você mesmo julga ser correto. Criando toda a sua história, seu próprio futuro, através do antecipar das situações, sejam elas de risco ou comuns, e ir se preparando, com todas as suas “seguras” ferramentas pra chegar ao seu “seguro” ponto final.
A minha pergunta é: onde está Deus?? O bom Deus? O que julga corretamente todas as coisas? O que faz com que todas as coisas, TODAS, cooperem para o bem daqueles que amam a Deus? Que sabe todos os processos que devemos passar no presente pra chegarmos no futuro que Ele sabe que é melhor pra nós? O que tem o tempo a seu favor? Em quem temos confiado?
Sabe, eu e a Lily temos nos deparado com essa situação nesses dias. São dias que rapidamente declaramos como os mais inúteis de nossas vidas porque estávamos olhando para o “muito” que não estávamos fazendo e poderíamos fazer. Porque se tivéssemos o controle dessas situações nesse momento, saberíamos como agir e já tínhamos planejado onde chegar com tudo isso. Mas a pergunta quando paramos na real frustração(sem aspas) era: onde está o bom Deus?
Porque se estamos agindo assim, só podemos ver o mal Deus. Afinal, não é possível que Ele tenha desejado isso pra minha vida..., que isso esteja realmente acontecendo!!! Isso não está exatamente me fazendo bem!
Esse mesmo tempo que julgamos ser inútil é o tempo que o julgamento de Deus diz ser o mais útil. Mas preferimos ficar com nosso julgamento. E aí nossas escolhas têm realmente definido nosso destino. E nessa caminhada (sem sentido) rumo ao nosso destino, vamos ver, no final, que não valeu à pena..., mais frustração. Cíclico, não?
Temos aprendido a colocar todas essas perguntas em discussão com os três grandes camaradas, amigão que é um..., seja lá o nome que você, sua doutrina, sua teologia ou sua religião quiser dar pra eles.
E nessa discussão temos visto as duas enormes palavras: simplicidade e dificuldade. Tão simples: entregar pra Ele. Tão difícil: entregar pra Ele.
Nessa “corrida teológica pós-moderna” (se é que esse termo é correto de se usar!) vemos muitas, enormes e velozes mudanças na maneira de se pensar pra se explicar o mais simples: entregar pra Ele.
É lógico que isso é recheado de significados práticos, mas nada muda o fato de ser simples..., e difícil!
O que, na prática, eu e a Lily temos tentado fazer? Confiar nEle em todas as situações, não usando mais o nosso senso de julgamento sobre o que é bom ou mal..., afinal, a dor, a dificuldade, o sofrimento, as situações inesperadas de falta de grana, de não conseguir fazer aquilo que realmente desejamos, de ter pessoas da sua própria família sofrendo “injustiças”, doenças, morte, etc..., podem até soar como mal pra nós, mas o julgamento de Deus pode ser que isso é exatamente o bom, o melhor de Deus!! E temos preferido o julgamento de Deus..., ou pelo menos tentado viver assim!
Nossas escolhas vão passar a ser baseada no senso de justiça de Deus, não nosso, da nossa teologia, das “doutrinas” dos tele-evangelistas (que em sua maioria odiamos!!), ou no momento que estamos passando.
Assim, “frustração” vai passar a ser frustração real..., ou talvez ela mesma (a frustração com aspas), o êxito real. E o “êxito” passará a ser êxito real..., ou ainda ele mesmo (o êxito com aspas), a frustração real. E tudo isso vai estar dentro do processo que temos vivido com Deus, e todas as coisas, TODAS, vão realmente cooperar para o nosso bem!!!
Se tudo isso não tem a ver com o amor dos três camaradas, o Grande Amigo, por nós, não sei dizer mais nada...

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