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Série: Reflexões Teológicas - Repensando o nosso local de atuação

By : Kadu

Texto confeccionado em resposta à uma aula da Faculdade de Teologia que curso atualmente,  sobre missão  integral e sobre o Pacto de Lausanne. Pra melhor compreensão, leia antes os pontos do Pacto de Lausanne, clicando aqui.


 
Entendendo a origem da missão e sua proposta de restauração de todas as coisas, o que mais me chama a atenção nessas aulas que venho tendo é o ponto que fala do local da missão. E isso, precedido do alcance da missão, que nos traz Ap 5:9 e Rm 8:18-23 como resposta fundamental.
É um fato que me chama a atenção porque tenho ouvido e lido muito sobre isso ultimamente. Me faz perceber o quão distantes, a grande maioria de nós, cristãos (no meio em que posso perceber), estamos do local da missão.
Afinal, dessa maneira, o pensamento parece “travar” no aspecto transcendente do evangelho do Reino, como foi possível estudar na aula. Não há ensinamentos corretos em relação a isso hoje, mas um simples repetir de fórmulas que tem “dado certo” no campo do transcendente, deixando o imanente de lado, esquecido, quase que secularizado. Não há como, concordando com Paul Tilich, não colocar o aspecto transcendente ligado com o imanente.
E o que melhor entendo disso é traduzido da seguinte forma: devemos ser e praticar, falar e fazer.
Num claro pensamento dualista, vemos aspectos ligados ao nosso momento de devoção íntima com Deus, como a oração, meditação, leitura bíblica, expressão de louvor, etc..., sendo exaltados acima, ou até exclusivamente, daquilo que é prático e nos faz “entrar” na história, atuando em meio aos problemas e aflições da sociedade ao nosso redor. Penso que um tem que andar junto com o outro. Um tem que ser reflexo do outro, até com o mesmo grau de importância. Porque, como vemos na bíblia, a fé sem obras se mostra morta. Essa forma de “escapismo” da realidade tem se tornado comum no que tenho visto da igreja brasileira. Em detrimento de um, faz-se o bastante do outro, como forma de compensação.
Creio que isso se dá, muito provavelmente, pela covardia frente aos problemas que podem ser (e fatalmente serão) enfrentados, decorrentes da escolha de atuar na história, no mundo atual. Essa é a essência do local da missão: esse mundo e essa história.
Ficamos distantes daquilo que o Pacto de Lausanne propõe, como um todo, quando olhamos pra nosso mundo e nossa história e decidimos por ali não atuar de maneira prática, como resultado de nossa fé.
Não poderemos entender, por exemplo, os pontos 5, 6 e 10 desse pacto, porque simplesmente estamos alheios ao mundo ao nosso redor.
“Demonizamos” todas as culturas e decidimo-nos por permanecer separados do mundo, que pode nos “demonizar” também. Não olhamos para questões sociais, pois cremos que nossa função exclusiva é pensar no “imanente” relacionado com a evangelização, como se fosse possível uma coisa ser excluída de outra. E aí vivemos essa confusão total em relação ao local de atuação.
Por isso que vejo as igrejas cada vez mais fechadas em si mesmas, também ignorando o ponto 7 e 8 do pacto de Lausanne. Daí surgem-se mais disputas por quem tem a melhor doutrina, quem tem a melhor teologia, quem tem mais “poder”..., o local de atuação passa a ser o gueto evangélico apenas, casos que o pacto de Lausanne já nos alertava e fazia um pedido de perdão de forma geral, desde os anos 70.
O local de atuação é, sim, o mundo, com suas mazelas, contratempos, dificuldades e situações de problemas e aflições. É sujeito a todo tipo de sofrimento e perseguição, no mundo e na história, onde Deus se faz presente de maneira a trazer redenção. Afinal, se for apenas para os “redimidos” que Deus enviou os cristãos, sua mensagem não seria de restauração e redenção... Ainda assim, podemos ficar numa confiante tranqüilidade na mensagem de Cristo: “eu JÁ venci o mundo”!
Façamos, portanto, uma reavaliação do nosso foco de atuação, no que diz respeito ao local pra onde temos direcionado nossos esforços de evangelização.
Que, também, possamos, entender que o ponto 11 do pacto de Lausanne, “Educação e Liderança”, é de extrema importância pra coerência no transmitir das realidades das boas novas do Reino de Deus. A falta de pessoas que possam trazer ensinamentos mais coerentes, treinando líderes e discipulando pessoas com essa mesma coerência, a meu ver tem trazido pessoas sem coragem pra enfrentar os verdadeiros desafios no que diz respeito à evangelização mundial.

Série: Reflexões Teológicas - Meio Ambiente, parte 1

By : Kadu



A cada dia que passo penso mais nessas questões de vocação e relação com o meio ambiente, na crise que vivemos em relação à natureza.
Creio que, principalmente pela proximidade das eleições, e por ter uma candidata com uma certa evidência no tratar dessas questões, também são muitos os brasileiros que estão pensando e debatendo sobre tudo isso. Soma-se a esse momento o que ocorre no mundo todo, com tanta tragédia natural como terremotos, furacões, secas extremas de um lado, enchentes e inundações de outro, tsunamis, aquecimento global, etc...
Costumo pensar que estes momentos de crise são, na verdade, momentos de grande oportunidade para propagação do Reino de Deus e da boa nova, que envolve também questões ambientais; o evangelho integral, para o homem todo, para todos os homens.
Infelizmente, ainda estamos apenas no campo dos debates, que também são poucos, e os debates tem girado em torno do mesmo tema: consumismo. O próprio consumismo sem princípios trouxe toda essa crise. Ao invés de se discutir o domínio responsável, ou, melhor definindo, a mordomia do mundo e de toda sua fonte de riquezas naturais, continua-se discutindo apenas o que diz respeito ao consumismo. Estuda-se novas formas de continuar consumindo muito, num domínio sem princípios, com um pouco menos de impacto ambiental. Mas não porque queremos ser mordomos, administradores daquilo que temos como nosso, e sim pra que as fontes de consumo não cessem, trazendo crises econômicas, etc...
Mas como tratar desses temas de maneira a não tratar apenas no quesito superficial do consumismo? Apenas o cristianismo, através do entendimento integral e bíblico daquilo que realmente é o mundo, a natureza, o meio ambiente e o quem é o ser humano em suas relações com esse mesmo mundo, natureza e meio ambiente, podem proporcionar um debate na direção certa, de se encontrar motivos verdadeiros pra crise ecológica que vivemos.
Temos respostas para as questões de quem nós somos e pra quê nós somos, o que é a natureza e pra quê ela foi criada. E essas respostas estão fundamentadas nos princípios que envolvem o ser criado a imagem e semelhança de Deus, a Imago Dei. Discutir esse termo tanto vai trazer resposta sobre o uso responsável, a dominação consciente, a mordomia altruísta do mundo criado ao nosso redor, como também respostas para nosso ser e nossa função no projeto de Deus em relação ao mundo e às pessoas que vivem nele.
Numa sociedade individualista, que diz que o ser humano vale o que possui, que entende a natureza como serva/escrava daquilo que a sociedade dita como correto, e que nunca se satisfaz, crendo que cada vez mais tem que possuir e/ou consumir, pelo simples fato de possuir/consumir, imagine o impacto de se descobrir: que somos criados por um Deus que nos fez, por graça, do nada, que preparou um ambiente perfeito pra vivermos, onde cada um de nós teria responsabilidades e deveres, além dos favores que dali viriam e seriam plenamente suficientes, que teríamos pessoas a nossa volta para não vivermos sós, de maneira individualista, mas em sociedade, sempre respeitando e obedecendo, em constante gratidão, ao Criador e doador disso tudo.
Não há nenhuma filosofia, religião, conceito, ciência que possa trazer tamanho impacto. Não há força maior do que o relacionamento com Deus, que ecoa no relacionamento com o próximo, com a natureza criada e consigo mesmo, percebendo e compreendendo quem somos, pra quê somos, o que fazer, etc...
Penso que também precisamos compreender mais sobre a queda e o que ocasionou o rompimento desse relacionamento integral com Deus. Saber que o que vivemos em relação à natureza é fruto desse rompimento, que hoje nos faz olhar para o mundo como nosso servo, fonte inesgotável daquilo que desejamos, fonte de consumo. Saber que nosso relacionamento impessoal, cada vez mais egoísta e afastado de outros seres humanos, num utilitarismo insaciável, também reflete na maneira como olhamos a natureza, até mesmo as terras que são posse dos outros, de outros países, comunidades e culturas. Saber que a crise de identidade pela qual o mundo atual passa, não sabendo se são hetero, homo, ou qualquer coisa que envolva o “amor livre”, vivendo a crise de trabalhar pra ganhar dinheiro e consumir ou trabalhar onde se pode “viver” mais, tendo mais prazer, fazendo diferença, distinguir família e seu papel nela, etc., tudo isso está relacionado ao rompimento com Deus, que impede de nos enxergarmos como realmente somos, mas faz com que sempre queiramos (desde Adão e Eva que queriam ser como Deus e não quem Deus os fez pra ser!) ser outro alguém, um ídolo criado em nosso coração, e assim nunca vivamos plenamente o que fomos criados pra viver, causando conseqüências na crise ambiental; saber que todas essas coisas influenciam diretamente no caos que o mundo vive e na falta de respostas plausíveis, não pra “tapar o sol com a peneira”, mas pra resolver de maneira permanente e integral problemas como a questão da crise ambiental e ecológica.
Após o debate consciente devemos tomar ciência das atitudes que devem proceder daí. E juntarmos forças pra agir de maneira responsável, ainda que a grande maioria não pense assim, e buscar, senão resolver, mas ao menos mostrar ao mundo que é possível viver de outra maneira, minimizando os danos causados ao nosso planeta.
Creio que possam ser reforçadas as organizações que trabalham de maneira missionária nessa área, além da criação de muitas outras, que possam trabalhar de maneira intencional e específica nessa questão. O movimento missionário, embora trabalhe com pioneirismo em muitas frentes, pode ser maior nessa questão ambiental.

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