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Cartas para um Novo Missionário: Acendendo o Fogo

By : Kadu
postagem original no blog Beyond Imagination, em 19, janeiro, 2014. 
por Catherine Rivard

Querido Novo Missionário,
Eu estava sentada na minha barraquinha da Wycliffe no hall de entrada do auditório da faculdade e não prestava muita atenção, provavelmente tentando escrever mais algumas notas de agradecimento. Era semana de missões em sua escola, mas a essa altura a maioria dos estudantes já tinha se dispersado para as suas aulas, e eu podia escutar alguns músicos se aquecendo nas salas de ensaio do outro lado do corredor. Estava calmo.
E então você veio. Você se sentou perto de mim com sua lista de perguntas, e eu fiquei maravilhada com seu discernimento, sua ânsia de se preparar para esse caminho que Deus havia te chamado.
Chegando ao final de nossa conversa, você olhou pra mim, com uma última pergunta. “Mais cedo, eu escutei o palestrante, um missionário, e ele passou todo seu tempo descrevendo a angústia, e dores, e sofrimento, e desastres que acometeram ele e sua família. E então ele terminou a conversa com um enorme sorriso e gritou, 'você também deveria se tornar um missionário!' ”
Você balançou sua cabeça espantado e disse: “Como ele consegue fazer aquilo?!”
De fato!  Como ele consegue fazer aquilo? Como eu posso fazer isso? Penso em tantos momentos, seja se tratando de tentar pegar uma comida nova em meu caminho, seja encarar a aranha gigante no chuveiro, ou ainda tentar encontrar as palavras certas em minhas habilidades linguísticas limitadas para compartilhar a verdade de Deus ou dizer tchau de novo e de novo. É claro, nós somos mandados a fazer isso, e francamente, eu acho a experiência no exterior bem legal.
Mas isso não é suficiente
Como ele consegue? Porque Deus acendeu um fogo em seu coração, e não fazer isso ou significa ser consumido pelas chamas ou significa tremer ao tentar escapar dessas chamas. Pois quando Deus te chama pra isso, Ele te habilita à isso e te dá a mais profunda alegria nisso.
E permanecer com Ele no meio desse fogo, permitindo-O te usar a despeito de seus defeitos e falhas em amar e alcançar as pessoas pelas quais Ele morreu, bem, isso é glorioso, porque nesses momentos não se trata de você e do que você pode fazer ou onde você pode ir e o que deixa para trás. Nunca se tratou disso. Porque toda dor e agonia (que em ultima instância marca a vida de qualquer ser errante nesse mundo caído), mesmo sendo lamentável, e real e digna de cada lágrima, parece sumir diante dEle e diante daquele fogo. E um dia, essas lágrimas irão cessar, e você irá permanecer com Ele em alegria e não apenas para ver os frutos de como Ele usou sua vida, mas vendo-O, aquEle que moldou você, te santificou e te levou até Ele mesmo, naquela vida.
É assim que ele consegue – ou, ao menos, como eu consigo.
E é assim que você pode, meu amigo.
Juntos, olhamos pra fora pela janela, por todo hall de entrada, não haviam mais palavras, e eu fiquei imaginando no que você estava pensando ou seu eu te aterrorizei completamente para sequer se aventurar no campo missionário. O campus estava começando a despertar de novo e os alunos pegavam suas mochilas em um dos ombros, duas meninas de cabelos encaracolados conversavam em um canto. Você também pegou sua mochila, depois olhou pra mim, sorriu e me deu um leve aceno.

E eu percebi que o fogo havia sido aceso em você também.

É obedecendo que se aprende a obedecer

By : Kadu

por Valdir Steuernagel, publicado originalmente em Ultimato
 
Na hora em que Pedro chegou em casa naquele dia, sua esposa viu que algo extraordinário havia acontecido. Antes mesmo que ele dissesse uma palavra, seu olhar e a expressão do rosto já revelavam que se tratava de algo forte e inusitado. “Você não imagina o que aconteceu!” -- ele foi dizendo. E ela já sabia que isso significava muito mais do que uma boa pescaria. “A pescaria foi um desastre! Mas aí, sabe Jesus, aquele pregador novo sobre o qual andam falando? Quando íamos lavar as redes, todos de mau humor, ele apareceu e nos mandou ir pescar novamente.” “E você foi?” -- ela tentou entrar na conversa. Porém, ele já explicava que, sei lá por que, quando se deu conta, já estava embicando o barco novamente para o lago. “E deu nisso aí!” -- disse, apontando para o cesto cheio. Na verdade, ela nem lembrava quando foi a última vez que ele trouxera tanto peixe bonito para casa. Entretanto, hoje isso nem parecia muito importante. 
 
O mais importante mesmo estava por acontecer. E Pedro continuou, empolgado: “O pregador começou a falar de um outro tipo de pescaria e nos desafiou a andar com ele. Fez até um trocadilho, dizendo que deixaríamos de ser pescadores de peixes para ser pescadores de gente. Depois disse que era importante buscar a grandeza, a realidade e a esperança do reino de Deus...”. E ele, Pedro, mesmo sem entender tudo o que tinha ouvido, ao olhar nos olhos de Jesus percebeu que sua vida estava mudando naquele instante. E agora, olhando nos olhos da mulher, percebia o quanto ela estava assustada. Antes que ele terminasse a história ela já intuía que a vida deles iria sofrer uma reviravolta radical, o que se confirmou quando ouviu o marido dizer: “... e eu já falei para pai arrumar outra pessoa para tocar o barco, pois eu vou me juntar ao grupo que vai andar com Jesus”. “O que foi que você fez?” -- ela ainda balbuciou, enxugando uma lágrima que insistia em molhar seu rosto, em um disfarçado esforço de mostrar aos dois pequenos, agarrados às suas pernas, que estava tudo bem. 
 
A vocação precisa se materializar em ação! 
Há nos Evangelhos diversos textos que relatam como Jesus chamou um grupo de discípulos para andar com ele. Nesta edição nos detemos em Marcos 3.13-19, onde se vê como o grupo é formado e a vocação delineada. Hoje lemos esses textos com uma naturalidade desconcertante e perdemos de vista não só a novidade do fato como as consequências do chamado de Jesus. Cada um dos que foram chamados tem uma teia de relações à qual precisam voltar e se explicar. Cada um deles tem uma forma de viver, inclusive de sustento familiar, que precisa ser equacionada e reorientada rumo a um futuro que é, ao mesmo tempo, uma promessa e uma incógnita. Pedro é um dos que “arrastaram seus barcos para a praia, deixaram tudo e o seguiram” (Lc 5.11). A vocação precisa ser colocada em prática. É assim que ela adquire contornos de obediência. 
 
A vida de Pedro e sua família nunca mais foi a mesma depois do encontro com Jesus. Não se sabe exatamente o que aconteceu com eles, mas Paulo diz que Pedro levava a esposa em suas andanças missionárias (1Co 9.5) e a tradição nos conta que ele morreu crucificado em Roma. Segundo o filósofo cristão Orígenes (185-253 a.C.), ele pediu para ser crucificado de cabeça para baixo e foi atendido. Os Evangelhos dão informações significativas sobre ele e mostram como a sua vocação foi se traduzindo em obediência rumo à “plenitude de Cristo”. 
 
Desde o dia em que foi chamado até a crucificação de Jesus, Pedro parece ter brigado com essa vocação e com a forma como Jesus entendia o seu próprio ministério. Mesmo tendo andado com Jesus, foi no contexto da crucificação que ele percebeu claramente o que o Mestre havia dito e proposto fazer, e para quê ele havia sido chamado. É diante da crucificação que ele se depara com a sua maior vulnerabilidade e fraqueza; e é diante do enigma da ressurreição que ele parece sucumbir à tentação de voltar ao seu antigo mundo. Durante todo esse tempo Pedro se revela, ora como um esfuziante seguidor de Jesus, ora como seu questionador. Chorando, vive na cruz a vergonha de havê-lo traído. E, ao olhar para ele, vemos a nós mesmos em nossas “bipolaridades espirituais”, nas quais nos enrolamos nas curvas da nossa obediência vocacional, ora querendo conquistar o mundo para Cristo, ora escondidos nos emaranhados das nossas prioridades, respostas e becos sem saída. 
 
Mas a história de Pedro não acaba assim. Quando isso parece ter acontecido e ele, acabrunhado, encontra-se novamente com as redes vazias (Jo 21), é Jesus quem vem de novo ao seu encontro. Enche-lhe a rede de peixes, convoca-o novamente para segui-lo e lhe faz uma nova pergunta, que afinal é a pergunta fundamental: “Simão, filho de João, “tu me amas”?” E assim começa um novo capítulo em sua vida. Quando ele balbucia uma resposta e diz “Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo” (Jo 21.17, 18), sabe que nunca mais será o mesmo. Agora o seu vínculo de obediência a Jesus passa pela declaração de amor. Uma declaração de amor que se transforma em obediência pastoral e missionária quando Jesus lhe diz: “Cuida das minhas ovelhas” e “Vai e faze discípulos”. Agora Pedro está vocacionalmente diplomado, pois sabe que ama de fato aquele que o chamou para segui-lo e ser dele. Como diz Walter Wangerin, a obediência é a nossa expressão de amor a Deus. Você sabia disso? 
 
• Valdir Steuernagel é teólogo sênior da Visão Mundial Internacional. Pastor luterano, é um dos coordenadores da Aliança Cristã Evangélica Brasileira e um dos diretores da Aliança Evangélica Mundial e do Movimento de Lausanne.

Faça-se a vontade do Senhor!

By : Kadu


Quando ouvimos isso, nós e o povo dali rogamos a Paulo que não subisse para Jerusalém.
Então Paulo respondeu: "Por que vocês estão chorando e partindo o meu coração? Estou pronto não apenas para ser amarrado, mas também para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus".
Como não pudemos dissuadi-lo, desistimos e dissemos: "Seja feita a vontade do Senhor". 
Atos 21:12-14


Parece que estou vendo o nosso chamado nessas palavras de Paulo, respondendo àqueles que, preocupados com ele, tentavam convencê-lo a não partir rumo a Jerusalém.
Paulo sabia bem a quem servia, sabia bem o Caminho a seguir. Tinha sido alcançado por aquela Luz..., tinha ouvido a voz do próprio Deus. Conhecia bem até onde iriam aqueles que tinha passado por tal situação de ver e ouvir ao Senhor, afinal, estava lá, os perseguindo, lançando na prisão e autorizando a morte daqueles que escolhiam se manter fiéis ao Caminho, à Luz, à Voz que ouviam dos céus.
E Paulo se entristecia porque tentavam convencê-lo de não viver essa mesma fé até esse mesmo limite. Ainda que soubesse o que o esperava, ainda que soubesse que a morte o aguardava, sabia que valia a pena e, por isso, se entristecia, ficava magoado em seu coração com a tentativa de seus próximos de o persuadir a não viver isso.
Assim também nos sentimos quando as pessoas ao nosso redor, ainda que na ânsia de nos ver "bem", tentam nos persuadir a não viver o que ouvimos da Voz, o que vimos da Luz, o que experimentamos pelo Caminho.
Nao é por qualquer coisa, por qualquer motivo que nos lançamos nesse Caminho, mas porque também fomos alcançados por aquela Luz, com o mesmo grande impacto, com o mesmo Amor, e nossos olhos se abriram pra ver aquela pérola preciosa pela qual vale a pena pagar qualquer e todo o preço (ainda que saibamos que nossos esforços nunca poderão pagar tal valor!). 
Sabemos o que nos aguarda (ainda que não saibamos exatamente tudo), sabemos o tanto que perdemos(ainda que não saibamos exatamente tudo), sabemos o quanto "morremos" dia a dia pra viver nesse Caminho. Sabemos que os passos que damos nessa direção nos levam pra mais perto da "morte", afinal, muitos nos orientam: "vocês estão perdendo ótimas oportunidades, perdendo uma carreira de sucesso, perdendo dinheiro e tempo fazendo isso". "Isso" é a morte pra muitos!
Pois eu lhes digo o que ouvimos dessa Luz: "...quem põe os seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira, mas quem esquece a si mesmo por minha causa terá a vida verdadeira. O que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida verdadeira? Pois não há nada que poderá pagar para ter de volta essa vida." (Mateus 16:26 NTLH)
É claro que sei que muitos tentam me convencer por boas intenções em seus corações (não ignoramos isso), mas eu também lhes digo: "Porque vocês estao chorando e partindo meu coração? Estou pronto não apenas para ser amarrado, mas também para morrer(...), pelo nome do Senhor Jesus." (Atos 21:13)
Algo bem interessante a se fazer agora, seria permanecer junto conosco em oração, em contato, em parceria. Já existem situações demasiado dificeis pra vivermos e seu apoio e incentivo, seu sofrer junto conosco é precioso! Vamos viver aquele tempo de Atos juntos, vamos ser igreja conosco, ainda que longe, sem congregarmos pessoalmente!
Mais uma vez testifico pra vocês o chamado de Deus, do Caminho, da Luz, da Voz pra nós: "O Deus dos nossos antepassados o escolheu para conhecer a sua vontade, ver o Justo e ouvir as palavras de sua boca. Você será testemunha dele a todos os homens, daquilo que viu e ouviu. (...) Então o Senhor me disse: 'Vá, eu o enviarei para longe, aos gentios' ". (Atos 22:14,15 e 21)
Esse é o nosso chamado, nossa vida, nosso desafio presente e futuro. Em obediência e como resposta de amor à esse chamado é que escolhemos viver. 

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