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Aprendo com um bebê numa casinha de animais!

By : Kadu
Meditação baseada nos dois primeiros capítulos de Lucas
Estive aqui lendo o começo do livro de Lucas nessa manhã, e de modo muito interessante me apeguei em algo no qual talvez nunca tinha realmente parado pra pensar. Os dois primeiros capítulos de Lucas mostram o preparo para a vinda de Jesus, com Zacarias, Isabel e o anjo Gabriel mostrando pra eles o nascimento de João, e também mostra a vinda do próprio Jesus, através do mesmo anjo Gabriel (deve ser um “parça” bem próximo de Deus!) falando com Maria sobre sua gravidez. Até aí ‘normal’, já que todo mundo conhece essas histórias, até mesmo quem não lê a bíblia. Agora o que me saltou aos olhos, como nunca antes, foi o fato de como o próprio Deus anunciou e trouxe “vida” à essa história, à esses anúncios. Primeiro, escolhe um casal já idoso (“sou velho e minha mulher já é de idade avançada”), cuja mulher era estéril, e diz pra eles que dali, deles, viria um profeta que prepararia o caminho “no espírito de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos, e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor”. A atitude de Isabel é inspiradora, com gratidão e reverência, confiava que o próprio Senhor havia realmente feito isso, mesmo não podendo falar para Isabel o que havia visto e ouvido naquele dia servindo na casa do Senhor como sacerdote. O anjo Gabriel, o “parça” de Deus, agora vai até uma parente de Isabel, chamada Maria, que devia ser uma adolescente ainda, prometida em casamento a um certo José. Pra ela, Gabriel vai mais longe e fala que ela ficaria grávida simplesmente do próprio Filho de Deus!! E, depois de questionar como isso se daria, ela também aceita, se colocando maduramente (uma adolescente!) como serva do Senhor, dizendo “aconteça comigo conforme a tua palavra”. O anjo ainda fala pra ela sobre Isabel e seu filho e Maria decide ir até lá. Assim que chega, o menino João, ainda no ventre, se agita de modo que Isabel compreende, tomada do Espírito, que aquele era Senhor sobre ela (uma senhora, casada com um sacerdote, falando de um bebê, que ainda deveria ser um “serzinho” de poucos centímetros dentro da barriga da parente adolescente). Quando chega o momento de Jesus nascer, José e Maria estão na cidade de Davi, Belém, numa manjedoura/estábulo sem local para se hospedarem dignamente, sem hospital, Unimed nem mesmo SUS! Uma adolescente e seu ainda não marido, em uma cidade distante, sem espaço na pousada ou no hotel, num abrigo para animais, sofrendo o trabalho de parto..., do FILHO DE DEUS!!!! Quando nasce, Deus vai avisar alguns “pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta de seus rebanhos.” Ora, depois de uma extensa aula de humildade, ainda resta uma a mais, na qual realmente meus olhos abriram para compreender melhor tudo isso: Deus, o PAI daquele bebê que acaba de nascer, vai avisar sobre o nascimento de seu filho para..., Reis e Príncipes, Governadores, Imperadores, Sumos-sacerdotes, o dono da hospedaria???? Não, pastores “zé-niguém” que estavam cuidando de rebanhos... Me dei conta, como pai de duas meninas, que na alegria do nascimento de cada uma delas, eu queria anunciar ao mundo todo, começando de quem era mais importante pra mim, que o momento mais marcante de toda minha vida havia acontecido: nasceu minha filha (primeiro uma, depois outra!). Se eu fosse importante, talvez meus amigos mais próximos seriam de importância igual, parecida, ou até maior! Se eu fosse um Rei, talvez meus primeiros anúncios seria, após a família, outros monarcas e príncipes, chefes de estado e presidentes, toda a mídia importante, etc... Mas como não sou nada disso, após o anúncio para a família, anunciei para os amigos mais chegados, gente que tem muita importância pra mim, tanta quanto a própria família. No paralelo com Deus, quem ele julgou importante no momento de nascimento de seu único filho - o Messias, o Rei, o Salvador do Mundo, o Todo-Poderoso, Senhor, Maravilhoso Conselheiro, Príncipe da Paz, que esmagaria a cabeça da serpente, que venceria a morte, etc, etc, etc – foram simples pastores de rebanhos do turno da noite! Quando lemos em Filipenses o trecho do capítulo 2, versículos de 5 a 8  - “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” – Paulo nos ajuda a compreender melhor ainda esse papo todo de humildade, que começa no próprio Deus.

Infelizmente, tão em falta em nossas vidas nos dias de hoje! Tomar como exemplo Cristo, o próprio Deus, é ver na história sua prática real de amor  em trazer ao mundo a salvação em forma de bebê, vindo de uma família humilde, de uma adolescente virgem ainda não casada, celebrada numa casinha de animais com pastores de rebanhos do turno da noite! Talvez humildade seja uma das facetas do amor, do Amor! 

Percepções de si mesmo

By : Kadu


Necessitamos ser amados. O orgulho é uma espécie de disfunção na capacidade de perceber-se amado. Portanto,  o orgulho pode ser o estado de uma alma insegura, a manifestação de uma carência que desconfia jamais ser suprida. 
Vive-se como se a vida fosse um concurso. Só que o orgulhoso procura, além disso, não apenas ser classificado, mas ser o primeiro. Afinal, ele não pode viver sem provar a si mesmo e exibir aos outros que ele é melhor.
Geralmente o orgulhoso não tem consciência de que é assim. Entende-se apenas como esforçado,bastante dedicado, que se interessa inteiramente pelas coisas, que não desiste - enfim, um brasileiro superior. A razão pode ser um forte apoio para justificar -se e defender-se inconscientemente.
O que predomina naquele que é tomado pelo orgulho é a competição. E quem compete, necessariamente, precisa observar o outro. Vive prestando atenção no desempenho do próximo a fim de superá-lo. Ou seja, a comparação é como o ar que ele respira. Não consegue viver sem isso, está o tempo todo julgando.
O orgulhoso é compelido a insinuar seus feitos todo o tempo. Ofender-se não é mencionado. Considera-se facilmente injustiças e que os demais são ingratos,  quando se trata,  na verdade, de dificuldades suas.
Dominado pelo orgulho, assume um jeito de viver em que a autossuficiência se revela, às vezes, discretamente, em outras ocasiões, explicitamente. Assim seus dias ficam mais cansativos, pois vivem acorrentados ao peso de não poderem pedir ajuda. sentem como se isso fosse uma vergonha mortal.
Tudo isso compromete sua capacidade de gratidão. O orgulhoso vive inconformidade com a falta de reconhecimento dos que o cercam quanto a tudo que já fez. Chega a julgar o próprio Deus e vê-se no direito de explicar por que percebe que de certa forma Deus está em dívida com ele. Em última análise, pode concluir que Deus não é de fato confiável, pois não é justo. Sendo assim, vive uma solidão cruel, que se esmera por disfarçar.
A alma adoecido pelo orgulho acaba por viver seus dias miseravelmente. Vê inimigos o tempo todo sente uma perseguição implacável em seu cotidiano. Portanto, envelhece com raízes de amargura, com dureza ímpar, com sofrimentos desnecessários. A distorção na maneira de olhar e interpretar a si mesmos, os outros e o seu contexto enruga a alma de tal maneira que poucos vestígios sobraram da imagem de Deus, o criador.

Tais Machado, paulistana, é psicóloga clínica e professora em seminários teológicos. É secretária nacional de capacitação da Aliança Bíblica Universitária do Brasil. Escreveu esse texto para Ultimato, novembro-dezembro 2011, n 333.

Evidenciando o Reino de Deus através da pobreza de espírito(Contracultura)

By : Kadu
Por onde andarmos e pra onde olharmos veremos incitações veementes contra o Reino de Deus e, assim mesmo, nos omitimos dessa "guerra" e dançamos conforme a música.
Faça um exercício e por onde passar hoje observe os outdoors, as placas e anúncios das lojas ao redor, tente (sem ser inconveniente) escutar algumas conversas ao seu redor. Depois reflita pra onde, invariavelmente, tudo isso aponta. Facilmente observará que muito, mas muito mesmo, se é dedicado à promoção de si mesmo, ao enriquecimento vaidoso, ao narcisismo, ao culto do "meu".
Agora, infelizmente, faça outro exercício, caminhando próximo a igrejas e "crentes" pra ouvir e ver o que pensam, o que dizem e atrás do quê tem corrido. Travestido de "gospel" você encontrará o mesmo fim: o eu, o meu!
Afinal, é uma "derrota" muito grande ser encontrado fora dessa "roda" hoje em dia. Por isso até mesmo os "crentes" tem que se propor a entrar nessa. Afinal, "temos que estar sintonizados com o mundo ao nosso redor".
Desculpas são das mais variadas...
E é claro que dou um "desconto" praqueles que não se declaram cristãos, por que ao menos são coerentes com seus maus pensamentos, mas dedico essa reflexão aos que se dizem cristãos mas tem caminhado num caminho que não é o Caminho, entende? Esses, que deveriam evidenciar o Reino de Deus, pensam que o estão promovendo através dessa cultura do eu, da prosperidade material, cultura do "pedestal", do estar acima dos outros, da cabeça e não da cauda. Porque ainda não entenderam que não é demonstrando para o mundo uma riqueza que o mundo pode conquistar que de fato estarão demonstrando a riqueza do Reino de Deus, de se pertencer a esse Reino.
Como essa maneira de pensar tem adentrado os círculos e ambientes "cristãos", temos visto que a manipulação dos termos, e consequentemente da mentalidade, tem sido cada vez pior. Um exemplo simples é que, como já escrevi, dentro das igrejas ainda se busca o reino, mas o reino do eu, da riqueza, da prosperidade material (e a qualquer cu$to). "O importante é estarmos promovendo a igreja", dizem, sem perceberem que essa igreja é aquela com "i" minúsculo. Essa igreja com "i" minúsculo infelizmente não tem tido parte no Reino de Deus, mas num reinado só dela.
Se essa igreja lesse mais vezes e estudasse com profundidade o sermão do monte, proferido pelo próprio Cristo, talvez algumas dessas idéias absurdas seriam deixadas de lado. 
Talvez, a se deparar com um simples (mas poderoso) verso que diz que é dos "pobres (humildes)" de espírito o Reino, finalmente parariam e cantariam uma canção nada gospel (segundo a "roda" atual do movimento gospel): "Nada em minhas mãos eu trago, simplesmente à tua cruz me apego; nu, espero que me vistas; desamparado, aguardo a tua graça; mau, à tua fonte corro; lava-me, Salvador, ou morro."
Talvez passaríamos a olhar menos pra nós mesmos e mais para os outros. Ou, ainda olharíamos constantemente pra nós mesmos, mas com as lentes corretas de quem somos, como o publicano que clamava de cabeça baixa: "Deus, tem misericórdia de mim, pecador!"
Pensaríamos mais como Calvino: "Só aquele que, em si mesmo, foi reduzido a nada, e repousa na misericórdia de Deus, é pobre de espírito".
Devemos caminhar no oposto dessa cultura do eu, do meu, ainda que tenhamos que ser contra várias coisas dentro de nossos próprios círculos "cristãos", dentro de nossos cultos e nossas igrejas. Afinal, não é só fora desses círculos que vemos isso ocorrendo (a promoção do reino "meu"), mas bem mais perto de nós..., até mesmo dentro de nós!
Pra enriquecer essa breve reflexão, cito um trecho do livro que atualmente estou lendo, Contracultura Cristã, do John Stott: "... bem no começo do Sermão do Monte, Jesus contradisse todos os juízos humanos e todas as expectativas nacionalistas do reino de Deus. O reino é concedido ao pobre, não ao rico; ao frágil, não ao poderoso; às criancinhas bastante humildes para aceitá-lo, não aos soldados que se vangloriam de poder obtê-lo através de sua própria bravura. Nos tempos de nosso Senhor, quem entrou no reino não foram os fariseus, que se consideravam ricos, tão ricos em méritos que agradeciam a Deus por seus predicados: nem os zelotes, que sonhavam com o estabelecimento do reino com sangue e espada; mas foram os publicanos e as prostitutas, o refugo da sociedade humana, que sabiam que eram tão pobres que nada tinham para oferecer nem para receber. Tudo o que podiam fazer era clamar pela misericórdia de Deus; ele ouviu o seu clamor."
A grande consequência de se passar a pensar assim é a mudança completa de mentalidade em relação a nós mesmos (somos pobres, cegos e nus, dependentes totalmente de Cristo e da sua graça), às pessoas ao nosso redor (que são tão iguais a nós, nem mais, nem menos) e ao próprio Deus (que não é nosso "bichinho virtual" ou marionete manipulável, mas o grandioso e eterno Deus, que desceu com graça e compaixão e nos alcançou, por Ele mesmo!). 
Tudo estará no seu devido lugar..., isso é o Reino de Deus: tem um Rei, que reina, e tem aqueles que humildemente se rendem a esse governo porque entendem o amor com que esse Rei reina e trata seu povo, e sabem que recebem as benesses desse Rei de graça, sem merecer; e existem os que não se deixam governar porque ainda não compreenderam essa graça, esse amor e essa justiça do grande Rei, os quais devemos alcançar pelo testemunho evidenciado em nosso meio da melhora integral da vida daqueles que adentram esse reinado. E só evidenciamos isso quando não fazemos por merecer (pois é precisamente isso que afasta as pessoas do conhecimento do Rei e de seu reinado), mas vivendo a vida em humildade (pobreza) de espírito, conscientes de nós mesmos e debaixo de sua Graça!

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