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Transformação social - Verdade X Mentira
By : Kadu
"Paulo foi um evangelista porque pregou a salvação pela graça. E sua pregação era vista como uma boa notícia, porque libertou seus ouvintes da escravidão da lei. Quando os judeus convertidos procuraram trazer a lei de volta para dentro da igreja, Paulo lutou contra eles, argumentando que se isso acontecesse, a graça seria inútil e os cristãos estariam voltando à escravidão. Foi a luta determinada de Paulo que finalmente fez Pedro declarar, no concílio de Jerusalém, que o legalismo religioso foi um jugo sobre os discípulos gentios, que nem os judeus nem seus pais tinham sido capazes de suportar (Atos 15:10). A pregação de Paulo sobre a salvação foi, assim, uma mensagem de reforma social, de libertação de um jugo.
O falecido Dr. Bhimrao Ambedkar, o maior líder dos intocáveis na Índia, entendeu essa mesma técnia básica de reforma social que Paulo usou. Foi por isso que ele pregou "conversão" como a resposta para o mal social do sistema de castas. Infelizmente, é verdade que o budismo, para onde ele levou seus discípulos, transformou-se num beco sem saída, mas permanece a verdade que se pode tentar diferentes opções para uma reforma da sociedade:
- Pode-se aceitar a estrutura básica da sociedade (por exemplo, o sistema de castas hindu) e procurar minimizar as injustiças inerentes pela lei (como o governo da Índia tem tentado fazer nas últimas seis décadas). Mas Ambedkar, que escreveu grande parte da constituição da Índia, sabia que esta abordagem não poderia transformar fundamentalmente essa situação.
- Portanto, uma segunda opção é recusar a aceitação da estrutura base de uma sociedade injusta, e tentar mudar as pessoas no topo, que são as responsáveis pelas injustiças. Mas é quase impossível mudar essas pessoas apenas através da prefação, porque geralmente elas estão felizes com o status quo. Como Jesus disse, em essência, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um beneficiário do reino de Satanás entrar no reino de Deus. O sistema opressor de exploração é favorável para as pessoas de cima, portanto elas não querem mudar. Assim, alguém pode ser tentado a usar a força violenta ou não violenta, para derrubar os opressores. É possível derrubar o governo se apossando ou matando algumas centenas de pessoas, mas o que se pode fazer se o número de opressores é, literalmente, centenas de milhares, ou se são demasiado poderosos para serem derrubados a força? Em qualquer caso, [...] é preciso muito mais do que uma revolução para criar um governo justo.
- A terceira opção, então, é mudar os oprimidos. Pode-se recusar a aceitar a estrutura básica da sociedade injusta e reformar o sistema através da mudança dos oprimidos. Por exemplo, se os intocáveis não podem mudar os opressores de casta alta, sua única opção é mudar a si mesmos. Essa mudança tem que ser em dois níveis. Primeiro, eles têm que se libertar da escravidão mental ou ideológica. Eles têm que deixar de crer que nasceram "intocáveis" por causa do carma (ações) de suas vidas passadas, ou que as bençãos em vidas futuras dependem do cumprimento dos deveres de seu presente estado de escravidão. Eles são mantidos em escravidão pela fé em uma mentira, e só a verdade pode libertá-los dessa mentalidade da escravidão. Em segundo lugar, eles têm que optar por sair do sistema sócio-religioso (ou seja, deixar de ser hindus), a fim de deixar de ser intocáveis. Eles têm que rejeitar as mentiras desumanas, opressivas e exploradoras por um lado, e por outro, aceitar uma nova visão de que todos os seres humanos compartilham a dignidade de serem feitos à imagem de Deus. Eles precisam pertencer a uma comunidade que pratica essa verdade e ajuda a encontrar a sua dignidade intrínseca ao se tornarem filhos de Deus.
Os sistemas opressivos sobrevivem propagando a mentira. O evangelismo liberta por propagar a verdade, ou seja, subjugando os fundamentos de um sistema de exploração e criando uma estrutura social alternativa que ajuda as pessoas a viver a verdade."
Obs. do blog: tire suas conclusões!! (só isso mesmo)
Trecho extraído do livro "Verdade e Transformação - um manifesto para curar as nações", Vishal Mangalwadi, ed. Publicações Transforma (págs. 141 - 143)
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Tag :
Índia,
livro,
mudança,
pregação,
reflexão,
reforma,
transformação,
verdade,
Vishal Mangalwadi,
Assuma sua responsabilidade pelo Brasil!!
By : Kadu
"Quando
ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma,
ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos.
Pois sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e,
por todos os lados, te apertarão o cerco; e te arrasarão e aos teus filhos
dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a
oportunidade da tua visitação.
Depois,
entrando no templo, expulsou os que ali vendiam, dizendo-lhes: Está escrito:
A minha
casa será casa de oração.
Mas vós a
transformastes em covil de salteadores.
Diariamente,
Jesus ensinava no templo; mas os principais sacerdotes, os escribas e os
maiorais do povo procuravam eliminá-lo; contudo, não atinavam em como fazê-lo,
porque todo o povo, ao ouvi-lo, ficava dominado por ele." Lucas 19:41-48
Creio que
nosso país tem vivido a algum tempo cercado de trincheiras inimigas, com o
cerco completamente apertado de todos os lados, arrasando conosco e com nossos
filhos. Realmente, se pensarmos em termos de divisão de áreas (saúde, governo,
economia, família,etc...) não tem ficado pedra sobre pedra em nossa nação.
Estamos arrasados em quase todos os índices indicativos, mas estes são
maquiados com uma linda máscara de belos estádios, belos eventos e espetáculos,
belas paisagens em nossas praias passando nas novelas da Globo...
Como Jesus
olhando para Jerusalém, quando olhamos para nosso Brasil dá vontade de
chorar..., e devemos chorar mesmo! Creio que esse choro é o que estamos vendo
acontecer Brasil afora! O choro, o grito, o lamento..., o protesto! Protestamos
porque choramos quando olhamos para os tais índices..., choramos enquanto a
saúde agoniza na maior parte do Brasil. Choramos enquanto nosso governo, que se
diz "dos trabalhadores", do "povo", que anos atrás também
chorou ao ver o Brasil e saiu a protestar, agora enche o bolso de dinheiro e
celebra, com direito a champanhe e caviar, o fato de o "povo", os
"companheiros trabalhadores", "os revolucionários", terem
assumido o poder! Ah, que bom, o poder! Agora o poder é do "povo"!
Ah...
Mas pra que
é que queriam o poder mesmo? Pra tê-lo! E só! Agora é que se põe a prova o que
se reivindicou nas ruas, de cara pintada, tomando borrachada. E qual o
resultado da prova? "Ih, dá zero pra eles!!! "
Meus
queridos, não adianta só chorar e lamentar sobre Jerusalém. Nem adianta somente
expulsar os vendilhões do templo, o covil de salteadores em que o Brasil se
transformou. Brasilzão, não adianta só fazer passeata, levantar bandeiras,
pintar a cara, ter gritos de ordem, cantar no teto de Brasília, fechar a Paulista,
interromper a grande Copa..., se depois de tudo isso apenas, como resultado, sobrar
um monte de lixo nas ruas, fogo nos pneus, vidraças quebradas, ficha suja pelas
detenções, olhos cegos pelas balas de borracha, marcas de cacetete nas pernas.
Temos que,
depois de expulsar os vendilhões, assumir o templo, ensinando o povo como se
deve fazer direito o que estamos vendo ser feito errado! Jesus viu Jerusalém e
lamentou porque não quiseram reconhecer
a visitação dEle. Chorou porque não entenderam o que significava a Vida vindo
até eles. E chorou..., mas Ele viu o que estava sendo feito de errado e
batalhou na prática pra que isso fosse denunciado e essa galera fosse extirpada
dali. Mas, muito além disso, Ele arregaçou as mangas e sofreu no seu próprio
corpo as consequências de se trabalhar pela melhora. Ele ensinou o povo como é
que deveria ser feito. Ele saiu depois pelas ruas e não deixou apenas um monte
de lixo nas ruas, fogo nos pneus, vidraças quebradas, ficha suja pelas
detenções, olhos cegos pelas balas de borracha, marcas de cacetete nas pernas,
mas sim uma marca relevante de como é que deve ser feito pra que as coisas
mudem.
E me
preocupo, não com o que está sendo feito, mas com a responsabilidade que o povo
tá ousando reivindicar sobre si. Temos realmente noção do que estamos
reivindicando? Será que depois que a poeira baixar vamos arregaçar as mangas e
fazer diferente? Será que essa geração que hoje se levanta, e que estava
"adormecida" mas, como "gigantes pela própria natureza"
acordaram, vai fazer alguma coisa na prática pra mudar tudo o que está errado?
Ou vai expulsar todo mundo do templo e deixar o templo vazio?
Já
mencionei isso no facebook, mas escrevo de novo: Ir pra rua, gritar,
pegar bandeira na mão, pintar o rosto, colocar máscara e até enfrentar bala,
bomba e cacetete é até fácil..., quero ver é doar seu dinheiro, seu tempo, seu
trabalho pra que alguém realmente à margem da sociedade tenha alguma
dignidade!! Quer protestar, faz direito..., vai pra rua sim, pra ajudar um
mendigo, um viciado em crack, uma prostituta, um menino de rua..., aí é que
quero ver!! Não se iludam, quem hoje tá no poder te explorando ontem tava na
mesma rua que você, gritando mais que você, apanhando ainda mais que você...,
agora que tem o poder de fazer alguma mudança só curte com nossa cara! Mudar as
realidades não é questão de gritar mais alto ou estar aqui ou ali reivindicando
alguma coisa..., se trata muito mais de ser a mudança! Ser resposta a esse
protesto quem quer? Vai estudar, ralar, trabalhar, ser político, ser empresário
e faz diferente!!!
Sou contra
os protestos? Não! Sou contra ir pras ruas? Não! Sou contra o vandalismo? Claro
que sim! Sou contra o partidarismo político por trás dos protestos? Totalmente
sim! Sou contra parar tudo pra que todo mundo dê atenção ao que se está sendo
reivindicado? Não!
Entendo que
tem muita gente realmente despertando e que esses tempos vão marcar o restante
da vida destes, que depois de tudo vão ralar pra fazer diferença, mas temo que
sejam a grande minoria e que daqui algum tempo a poeira realmente baixe e a
maioria esmague essa minoria de novo e tudo volta ao "(a)normal",
apenas com líderes diferentes, partidos diferentes no poder.
Pense
comigo: não podemos transferir os problemas e a culpa aos partidos políticos,
ou aos líderes, como se nós fôssemos os coitadinhos sofredores da exploração.
Quando você joga seu chiclete ou sua bituca de cigarro no chão (deve ter um
monte disso no final dos protestos), quando você depreda ou picha
estabelecimentos públicos ou privados, quando você estaciona em fila dupla ou
na vaga de deficientes e idosos, quando você fura fila no banco, quando você se
"beneficia" pelo troco errado na padaria ou no mercado, quando você
não recicla seu lixo, quando você dá um "cafezinho" pro policial não
te multar (ou quando aceita o "cafezinho"), quando você manipula
informações pra vender mais, quando você mente pra conseguir seu emprego,
quando você sonega seu imposto comprando ou vendendo sem nota fiscal, quando
aceita uma "ajudinha" em troca de voto, quando não doa seu dinheiro
pra quem tem necessidade, quando passa a perna no seu amigo pra conseguir a vaga
dele, quando dirige embriagado depois de "celebrar" o melhor protesto
que já foi na vida, sua desonestidade e desconfiança, sua inveja com o seu
colega ou vizinho, enfim( poderia ficar o dia todo descrevendo ações simples
que você e eu temos o costume de fazer) quando é conivente ou realiza qualquer
uma dessas ações você está sendo exatamente o alvo do seu próprio protesto.
Assuma suas culpas, mude suas próprias atitudes e sim, proteste nas ruas, tire
quem tá no poder!!
Mas depois,
assuma você o poder, com atitudes diferentes! Como já escrevi acima, expulsar
os vendilhões pra deixar o templo vazio não adianta nada! Porque, como bem
"profetizou" o filme tropa de elite, quando cai um corrupto, logo tem
outro pra assumir o lugar. Saturemos pois o Brasil de não-corruptos pra que
quando o último corrupto cair não haja mais nenhum pra assumir o poder..., e
isso começa de mim e de você!
Por fim,
uma história real contada por uma pessoa que com certeza estaria aí nas ruas
protestando (se fosse daqui!) mas que trabalhou e ainda trabalha não só pra
conscientizar e ensinar as pessoas que é possível ter uma nação melhor,
transformada, mas pra que ele mesmo seja essa transformação, o indiano Vishal
Mangalwadi, reformador social, colunista político, escritor e palestrante. Ele
nos faz pensar em nosso Brasil atual e nossas reivindicações, nossas
responsabilidades perante elas.
Ele conta
essa história depois de ouvir de um indiano, que mal falava inglês, que era
possível ser empresário de sucesso na Inglaterra. Quando Vishal pergunta como
isso é possível, este indiano, sr. Singh, lhe responde: "Porque lá todos
confiam em você." E segue-se a história:
"Poucos
meses depois, Ruth e eu estávamos na Holanda falando em uma conferência anual
de uma das maiores instituições de caridade daquele país. Em uma das tardes,
nosso anfitrião, o Dr. Jan van Barneveld, disse-me: "Venha, vamos buscar
leite." Nós dois fomos até a fazenda de gado leiteiro cruzando a bela
paisagem holandesa, com lindas árvores. Eu nunca tinha visto tanto leite! Havia
uma centena de vacas, porém não havia funcionários no local, e tudo parecia
incrivelmente limpo e organizado. Na Índia nós tínhamos uma pequena fábrica de
laticínios, mas contávamos com dois funcionários e o local era sujo e
malcheiroso.
O contraste
chamou minha atenção, porque na região onde eu morava, pelo menos 75% das
mulheres gastavam por volta de uma a duas horas recolhendo esterco com suas
próprias mãos, depois colocavam tudo em cestos, que então carregavam sobre suas
cabeças até seus quintais onde, mais tarde, transformariam o esterco em
combustível para cozinhar.
A fábrica
de laticínios holandesa, que visitei, me surpreendeu porque ninguém estava lá
para ordenhar as vacas. Eu nunca tinha ouvido falar de máquina que ordenhassem
vacas e despejassem o leite em um enorme tanque. Entramos na sala do leite e
ninguém estava lá para vender o leite. Eu esperava que Jan tocasse um sino, mas
ele apenas entrou, abriu a torneira, colocou sua jarra e a encheu. Então ele
foi até um peitoril, baixou um pote cheio de dinheiro, tirou sua carteira,
colocou vinte moedas de florim holandês, pegou o troco, guardou em seu bolso,
devolveu o pote ao seu lugar, pegou a jarra e começou a andar. Eu estava
atordoado!
"Cara",
eu lhe disse: "se você fosse um indiano, você pegaria o leite e o
dinheiro." Jan riu.
(...)
De volta à
Holanda, naquele momento de riso, eu então compreendi o que o sr. Singh estava
tentando me explicar no avião para Londres. Se eu saísse com o leite e o
dinheiro, o proprietário do leite teria que contratar uma vendedora. Quem
pagaria por ela? Eu, o consumidor!
No entanto,
se os consumidores são desonestos, porque o fornecedor seria honesto? Ele
provavelmente acrescentaria água ao leite para aumentar o volume. Sendo um
ativista, eu protestaria que o leite foi adulterado, e o governo teria de
contratar inspetores de leite. Mas quem pagaria pelos inspetores? Eu, o
contribuinte!
Se o
consumidor e o fornecedor são desonestos, porque é que os inspetores seriam
honestos? Eles seria subornados pelos fornecedores. Se não recebessem suborno,
eles usariam uma lei ou outra para se certificar de que a venda ficaria
atrasada o suficiente para fazer coalhar o leite não refrigerado. Quem pagaria
pelo suborno? Inicialmente, o fornecedor, mas eventualmente o consumidor.
Até então,
eu teria pagado o leite, a vendedora, a água, o inspetor e o suborno, e não
teria dinheiro suficiente para comprar chocolate para adicionar ao leite. E sem
chocolate, meus filhos não gostam de leite. Consequentemente eles não seriam
tão fortes como as crianças holandesas!
Depois de
pagar por todas essas coisas, a chance de sobrar algum dinheiro para levar meus
filhos ao cinema sábado à noite e comprar sorvete pra eles, se resumiria a
zero. A pessoa que faz e vende sorvete aumenta muito o valor do leite, enquanto
a vendedora, a água, os fiscais e o suborno não aumentam em nada seu valor. Ao
pagar por tudo isso simplesmente contribuo com o meu pecado: a minha propensão
em cobiçar e roubar o dinheiro e o leite do meu vizinho. O alto preço do pecado
impede que sobre dinheiro para o sorvete. Minha cultura de desconfiança e
desonestidade rouba-me o dinheiro que poderia ser usado para proporcionar uma
vida melhor para os meus filhos e emprego produtivo para os meus vizinhos.
A visita
àquela fazenda me ajudou a entender porque um pequeno país como a Holanda é
capaz de doar dinheiro a uma nação muito maior, como a Índia. Também me ajudou
a entender o que meu colega passageiro, um empresário semi analfabeto, estava
me explicando. Ele poderia dizer o que os especialistas econômicos evitam
discutir: que a integridade moral é um grande fator por trás do sucesso
sócio-econômico/sócio-político do Ocidente." (Verdade e Transformação,
Publicações Transforma, Vishal Mangalwadi, págs. 25-27) Compre o livro!!Tag :
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Vishal Mangalwadi,
Acabando com nossas desculpas - Parte 2
By : Kadu
Outra desculpa que comumente ouço e até eu mesmo já usei é que não sou nada, sou apenas um estudante, auxiliar de educação infantil, nem formado ainda. Não tenho influência suficiente em minha profissão, não tenho status pra fazer alguma diferença..., "quem sou eu?", é a pergunta mais comum nesses casos. Pra acabar com mais essa desculpinha, vamos dar uma olhada na história fantástica de um simples sapateiro:
William Carey (1761 - 1834), o sapateiro batista de Northampton, Inglaterra, é frequentemente chamado de "o pai das missões modernas", apesar dos moravianos e outros terem estado ativos em missões internacionais muito antes de Carey ter nascido. Entretanto, ele é visto por muitos como o instrumento através do qual as igrejas protestantes foram despertadas para a necessidade e urgência da tarefa missionária.
"Sente-se rapaz!" Foi o que Carey ouviu do pastor batista depois de sugerir que seus colegas batistas deveriam considerar investir seriamente em alcançar os não-alcançados do mundo. "Quando Deus resolver converter os pagãos, Ele o fará sem o seu auxílio ou o meu."
Carey se sentou, e então começou a escrever. O que escreveu acabou se tornando um tipo de "Carta Magna das Missões Modernas", conhecida como Uma Averiguação da Obrigação dos Cristãos em Usar Meios para a Conversão dos Pagãos e incluía uma pesquisa sobre as populações não-alcançadas e argumentos bíblicos comprovando que a Grande Comissão não foi endereçada apenas aos primeiros discípulos, como se defendia na época de Carey, mas era para todas as gerações de discípulos.
Carey estava ansioso para praticar o que pregava, então depois de fundar a Sociedade Missionária Batista em 1792, ele embarcou para a Índia com a sua família. Assim, começou a carreira missionária mais notável e que por décadas, inspirou milhares de pessoas da Europa e América.
Carey não foi somente o fundador da Igreja Protestante na Índia, mas juntamente com seus colegas William Ward e Joshua Marshman - conhecidos como o Trio de Serampore - completaram seis traduções completas e vinte e quatro traduções parciais da Bíblia nas línguas indianas como o sânscrito, assim como livros de gramática, dicionários e a tradução de livros orientais clássicos. Só até aí, já havia sido uma conquista e tanto! Mas isso não era nem metade da história.
A compreensão que Carey tinha quanto a Grande Comissão envolvia muito mais do que traduzir a Bíblia, converter pessoas e implantar igrejas, mas envolvia o discipulado de uma nação, ou seja, ensinar as pessoas como viver sob o governo de Deus.
Assim como era para John Wesley, sua paixão era a totalidade, o Senhorio de Cristo sobre todas as áreas da vida e da sociedade.
Vishal Mangalwadi, escritor e reformista social indiano, registrou as seguintes conquistas da vida de Carey. Carey, escreve Magalwadi, foi o fundador da Sociedade Agri-horticultural em 1820, trinta anos antes da Sociedade Real Agrícola ser criada na Inglaterra. Ele desenvolveu uma pesquisa sistemática da agricultura da Índia, escreveu para a publicação Asiatic Researchers (Pesquisadores Asiáticos) sobre uma reforma agrária e expôs os males do sistema de cultivo de anil (corante cor azul) duas gerações antes do sistema falir. Ele o fez porque estava horrorizado ao ver que 60% da Índia continuava uma selva sem cultivo, abandonada às feras e serpentes.
Carey foi o primeiro a escrever artigos sobre as áreas florestais da Índia, cinquenta anos antes do governo fazer sua primeira tentativa de conservação florestal. Consciente de que Deus havia dado ao homem a responsabilidade sobre a terra, ele tanto praticou quanto advogou vigorosamente o cultivo de madeira, e deu instruções práticas sobre como plantar árvores para propósitos ambientais, agrícolas e comerciais.
Ele foi o descobridor da Carey herbacea nas selvas das montanhas do Himalaia, uma variedade de eucalipto que agora leva o seu nome.
Publicou os primeiros livros sobre ciências e história natural na Índia, porque acreditava que a Criação apontava para o Criador: "Rendam-te graças todas as tuas criaturas, SENHOR" (Salmos 145-10). A natureza havia sido declarada boa pelo Criador. Não era "maya" (ilusão) a ser evitada, como era ensinado pelo hinduísmo. Ele frequentemente palestrava sobre ciência e tentava provar uma pressuposição científica básica aos indianos de que, mesmo os mais inferiores dos insetos, não eram "almas aprisionadas", mas criaturas dignas da nossa atenção.
Ele foi o pai da tecnologia da impressão na Índia, fundando a maior gráfica da nação. A maioria das gráficas tinha que comprar suas fontes tipográficas de sua gráfica missionária em Serampore. Além disso, Carey foi o primeiro a fabricar papel indiano para a indústria.
Ele também fundou o primeiro jornal em língua oriental, porque acreditava que "mais do que todas as crenças e religiões, o cristianismo busca liberdade de opiniões". Seu jornal de língua inglesa, Friend of India, foi a força que impulsionou o movimento de reforma social na nação na primeira metade do século XIX.
Carey foi o primeiro homem a traduzir e publicar grandes clássicos religiosos indianos para o inglês e responsável por tornar Bengali - considerada "apropriada somente para mulheres e demônios" - a língua mais importante da Índia. Escreveu canções evangélicas em Bengali para direcionar o amor hindu por recitais de música para Deus. Ele também escreveu o primeiro dicionário de sânscrito para estudiosos.
Ele fundou dezenas de escolas para crianças indianas - meninos e meninas de todas as castas sociais - e inaugurou a primeira faculdade asiática em Serampore, perto de Calcutá. Ele queria desenvolver a mentalidade indiana a libertá-la da cegueira causada pela superstição.
Carey foi o sapateiro britânico que se tornou o professor de bengali, sânscrito e marathi no Fort William College em Calcutá, onde funcionários públicos eram treinados.
Também introduziu o estudo da astronomia na Índia porque estava profundamente preocupado com as ramificações culturais destrutivas da astrologia: fanatismo, medos supersticiosos e a inabilidade indiana de organizar e administrar o tempo. Ele não acreditava que os astros eram deuses que governavam nossas vidas, mas que foram criados para serem sinais ou referenciais que dividiam o espaço em direções (norte, sul, leste, oeste) e o tempo em dias, meses, estações e anos, permitindo assim a criação do calendário, o estudo da geografia e da história, para que possamos ser livres para governar e não ser governados pelas estrelas.
Carey também apresentou a Índia o conceito de biblioteca pública, onde as pessoas podiam pegar livros emprestado, o que possibilitaria ao povo ter acesso às novas idéias que eventualmente iriam gerar liberdade de pensamento. Ele queria invetivar a criação de uma literatura indiana na língua nativa. Ele acreditava que os indianos precisavam receber conhecimento e sabedoria vindos do mundo todo para que pudessem se atualizar com as outras culturas. Ele desejava que as bibliotecas públicas fossem fontes de informações mundiais.
Carey foi o primeiro a trazer à Índia uma máquina de vapor, incentivando os ferreiros a fazerem a versão indiana de sua máquina. Ele também foi o precursor do conceito da poupança para combater o mal da usura.
Foi o primeiro defensor de um tratamento humano para os leprosos. Os leprosos eram normalmente enterrados ou queimados vivos por causa da crença de quem fim violento iria purificar o corpo e garantir a transmigração a uma nova e mais saudável existência, ao passo que a morte natural, causada pela doença, resultaria em quatro nascimentos sucessivos e um quinto como leproso.
Foi o primeiro a se posicionar contra a opressão das mulheres, refletidas nas práticas de poligamia, infanticídio feminino, casamento infantil, queima de viúvas (suttee), eutanásia e analfabetismo feminino, "sanções religiosas" virtualmente sinônimo de hinduísmo durante os séculos XVIII e XIX. Enquanto que os governantes britânicos aceitavam esses males sociais como irreversíveis e como parte intrínseca da tradição religiosa da Índia, Carey pesquisou, publicou e levantou uma geração de funcionários públicos que mudaram as leis.
Carey foi o pai da Renascença na Índia dos séculos XIX e XX, declara Mangalwadi. Ele desafiou a força do ascetismo, do misticismo intocável, do oculto, da superstição, da idolatria, da feitiçaria e das crenças e práticas opressivas da nação. Seu movimento culminou com o nascimento do nacionalismo indiano e com a subsequente independência da Índia. Sua "espiritualidade mundana" com uma ênfase forte em justiça e amor ao próximo, paralelo ao amor a Deus, marcou a virada de uma tendência declinante da cultura para um movimento ascendente.
Ele foi um evangelista que usou todos os meios disponíveis para iluminar todos os cantos escuros da cultura indiana com a luz da verdade. Ele é a personagem principal na história da modernização da Índia.
Sim, Carey - o visionário pai das missões modernas - tinha uma visão que se estendia além de evangelismo e implantação de igrejas e incluía discipulado de nações inteiras.
Que homem esse tal de Carey!



